Um país chamado Rio Grande do Sul

"Você, que não conhece o meu estado, está convidado a ser feliz neste lugar.
A serra te dá vinho, o litoral te dá carinho e o Guaíba te dá um pôr-do-sol lá na capital."
Eu sou do sul - Osvaldir e Carlos Magrão

arquivo pessoal

          Há um ano me perguntaram: "O que é ser gaúcho"? Apesar de ser uma pergunta muito fácil de ser respondida, demorei para respondê-la pela complexidade de argumentos que eu precisava expressar para demonstrar todo orgulho que ser gaúcho demanda. Mas, no fim, saiu isso: "Ser gaúcho é poder ter orgulho de uma cultura muito particular. É morar no outro lado do país e chamar pão francês de cacetinho, brigadeiro de negrinho. Ser gaúcho é ouvir Atlântida, ler Martha Medeiros e admirar Gisele Bündchen. Para mim, que há pouco tempo saí das terras farroupilhas, posso dizer que, em nenhum outro lugar, poderá se encontrar um vocabulário tão exótico e uma história tão rica". Hoje, minha opinião continua sendo a mesma, embora tenha muito a acrescentar. E nesse 20 de setembro, DIA DO GAÚCHO, preciso compartilhar a honra que é gritar: "EU SOU DO SUL"!
           Já dizia o poeta que, pra saber quem eu sou, basta olhar para o céu azul e bradar, num grito forte e imponente: "Viva o Rio Grande do Sul"! Nasci na terra do chimarrão, que, de geração em geração, é um costume muito característico deste lugar, herdado das tribos indígenas que, antigamente, habitaram aquele lugar. Afinal, seja de manhã bem cedo ou nos fins de tarde, à sombra da casa, há sempre um bom gaúcho, de bota e bombacha, sorvendo desta iguaria, que passa de boca em boca, criando aquele espírito de comunidade que, outra vez, impressionou o cronista Arnaldo Jabor.
           Trago nas veias o sangue farrapo de um povo guerreiro e hospitaleiro, de uma cultura ímpar e muito significativa para a história do Brasil, seja pela Revolução de 1923 (a dos chimangos - de Borges de Medeiros - e Maragatos - de Assis Brasil) ou pela própria Revolução Farroupilha, em que a ousadia de Bento Gonçalves pretendia separar o Rio Grande do Sul do restante do país (uma lástima!), revolução esta destaca ainda, com a presença do inesquecível casal Giuseppe e Anita Garibaldi.
         Falando em nomes, o Rio Grande do Sul orgulha-se muito das tantas personalidades que já saíram daquele rincão: Getúlio Vargas, presidente do Brasil, Érico Veríssimo, Mário Quintana e Martha Medeiros, escritos de várias gerações que conquistaram um espaço importante na cultura nacional graças ao poder de seus talentos, Gisele Bündchen, a top model mais bem paga do mundo, os atletas Daiane dos Santos, Ronaldinho Gaúcho e Taffarel, que comoveram e emocionaram o Brasil, Família Lima, Adriana Calcanhoto e a saudosa Elis Regina, astros da música, e as estrelas da nossa televisão como as apresentadores Xuxa Meneghel, Patrícia Poeta e Fernanda Lima, os atores Carmo Dalla Vecchia, Werner Schünemann e Ricardo Macchi e as atrizes Cecília Dassi, Julia Lemmertz, Sheron Menezes e Barbara Paz.
           O Rio Grande do Sul também é reconhecido pela beleza da mulher gaúcha. A prova são os resultados no concurso Miss Brasil, que já conquistou 12 títulos, tornando-se líder no ranking. E, em se tratando de competições, temos nosso clássico do futebol, o Gre-Nal que, diferentemente do que costuma acontecer, une torcidas num espetáculo nos gramados do Olímpico ou do Beira-Rio.
           A natureza do Rio Grande do Sul desenha a bandeira do Brasil: desde o céu, que é mais anil, às campinas que têm seu verdejar como se tivessem vida própria. Na capital Porto Alegre, o Guaíba presenteia, diariamente, os visitantes, com um pôr-do-sol digno de filme (confira na foto acima). Gramado e Canela são responsáveis por acolher turistas no inverno, junto com a neve, exibindo paisagens europeias e divinamente lindas. O Rio Uruguai, por fim, pode sr considerado o acalentador dos pampas, pois convida, de modo provocante, a lavar a alma em suas águas.
            Hoje, comemoro, pela segunda vez, o 20 de setembro longe de casa e, principalmente, longe do meu estado. Mas, viver longe do Rio Grande do Sul, não significa afastar-se dos costumes. Numa roda de conversa ,você até puxa mais no sotaque, deixa escapar um "tchê, barbaridade", explicando como são as coisas nesse lugar tão rico. É por conta dessa cultura que, honestamente, o Rio Grande do Sul merece ser considerado um país dentro de outro. Afinal, seja pela vestimenta, pelo vocabulário, pela culinária, pelos costumes, pelas artes, tudo se caracteriza como uma nova cultura, uma cultura que é admirável e, porque não, invejável - ou invejada. Costumo dizer que, antes de ser brasileiro, sou gaúcho. E, um ano após responder publicamente "O que é ser gaúcho?", posso dizer, sucintamente, que é isso: é, primeiramente, ostentar no peito o brasão verdade, vermelho e amarelo, o lema "Liberdade, Igualdade, Humanidade" e cantar: "Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra" para que, em seguida, possa assumir o verde e o amarelo, o "Ordem e Progresso" e a "Pátria Amada, Brasil!". Sinceramente, faltam-me palavras para descrever tanto orgulho. E, longe de tudo isso, passo a exercer uma função de disseminador de nossos costumes, de nossa cultura, de nossa tradição. Hoje, o Rio Grande do Sul é minha identidade.
            Os ídolos gaúchos, Osvaldir e Carlos Magrão, definem muito bem o sentimento de quem já deixou aquele pago na canção "Roda de Chimarrão". E, trago os versos aqui, para explicar um pouco de como me sinto:
             "Eu nasci naquelas terras onde o minuano assovia. Cevando a erva pro mate, chimarreando todo dia. Sou gaúcho de verdade na raça e no coração. Gauderiando em outros pagos, mesmo assim, nas veias trago o sangue da tradição [...] Quando bate uma tristeza, daquelas que a gente chora, dá uma vontade danada de largar tudo e ir embora. Então, eu pego a cordeona e deixo o fole rasgar. Corro os dedos no teclado e, num vaneirão largado, me esqueço até chorar. [...] Quando penso na querência vem a saudade baguala e se acomoda no peito, numa dor que não se iguala. Aí, eu preparo um mate e chimarreio à vontade. Me sento à sombra da casa, parece que crio asas, viajando nessa saudade [...]".
              Para encerrar, em definitivo, um hino da nossa música gauchesca: "Querência Amada"
              "Que Deus saúde me mande. Que eu possa ver muitos anos o céu azul do Rio Grande. Te quero tanto, Torrão Gaúcho! Morrer por ti, me dou o luxo! [...] Meu coração é pequeno porque Deus me fez assim. O Rio Grande é bem maior, mas cabe dentro de mim. Sou da geração mais nova, poeta, bem macho e guapo, nas minhas veias escorre o sangue herói de farrapo. Deus é gaúcho, de espora e mango. Foi maragato ou foi chimango.Querência amada, meu céu de anil. Este Rio Grande, gigante, mais uma estrela brilhante na bandeira do Brasil"!
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