Vaias e Aplausos

Os destaques da semana – bons e ruins, você confere agora no Tarja Preta desta quinta-feira.
VAIA:
                O fim de semana foi triste com a notícia da morte de Amy Winehouse. A talentosa cantora foi encontradak, em seu apartamento, às 16 horas e, a que tudo indica, a causa de seu falecimento – aos 27 anos – pode ter sido uma overdose. Ontem, quarta-feira, fiquei ainda mais decepcionado quando, ao ver que, dentre os assuntos mais comentados do twitter, estava a atriz Vera Fischer. Pasme: a bela foi internada em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos e, para deboche dos twitteiros de plantão, foi comparada à Amy. Não quero vaiar nenhuma das duas, nem Amy nem Vera, mas sim ao poder incontrolável que a droga faz na vida das pessoas. Tomemos por exemplo, agora sim, a vida das duas artistas: lindas, talentosíssimas, admiradas e drogadas. Ambas tinham/têm tudo e ainda precisam perder tudo o que conseguiram e construíram – carreira, inclusive -, por uma “coisa” que não levará a nada. Lamentável, decepcionante e muito, muito triste. Torcendo pela recuperação de Vera Fischer – que nasceu no mesmo dia que eu (uma sagitariana digna de um 27 de novembro haha) – que pode ser vista na exibição de O Clone, nas tardes da Globo e que fez uma pequena participação em Insensato Coração, anovela das 21 horas da Globo, como Catarina Diniz. As causas da morte de Amy serão reveladas daqui um mês, segundo informações...
APLAUSO:
                Foi sofrido, mas a gaúcha Priscila Machado levou o título de Miss Brasil 2011, no último sábado, 23. Sob vaias – uma falta de educação que recebeu uma “punição” (explicarei mais adiante) a modelo recebeu a coroa e a faixa das mãos da Miss Brasil 2010, Débora Lyra – gorda, ex-namorada do jogador Alexandre Pato -. Foi discutível, claro, a premiação da morena, já que a Miss Bahia, Gabriela Rocha, também estava no páreo – um dos motivos para a rejeição de Priscila -. Embora Gabriela e Priscila tenham um potencial excelente para disputar o Miss Universo – que, pela primeira vez na história, será realizado no Brasil – muitas candidatas ao título não ficaram entre as finalistas (Miss Distrito Federal e Miss Minas Gerais, só para citar algumas). Mas eu, apesar de minha opinião ser suspeita, já que sou conterrâneo de Priscila, concordei com a escolha e argumento: a Miss Brasil 2011, a mulher mais linda do país, segue as exigências que são cobradas no concurso Miss Universo (explicando: que proibiu a venda de ingressos ao público, devido ao vexame causado pela platéia na escolha de sábado), ou seja, é uma forte candidata ao título. E, deixem-me rasgar ceda, agora: é gaúcha, é linda e é a mulher mais linda do Brasil. Tentaram até fazer com que a garota perdesse o título por conta de uma atitude de má fé de um fotógrafo que fez umas fotos da modelo semi-nua. Boanerges Gaeta Jr afirmou que Priscila não perderá o título e tem grandes chances de conquistar o Miss Universo. Aguardaremos ansiosos, os brasileiros de verdade...

Atenção com S

Caro leitor, lamento decepcioná-los nesse tanto, mas o título é um fato verdadeiro que aconteceu comigo. Tal gafe, a maior da minha vida, não poderia ter acontecido em uma situação mais amena do que uma prova da faculdade. Sim, meu amigo, escrevi “ATENSÃO” e não posso nem mentir que foi um ato falho, quando queria falar atenção, mas a presença do S foi por conta de “tensão”, mesmo. Não, nem assim.
                Revisto e corrigido meu erro – pela professora, mesmo sem descontar nota -, fiquei com essa sensação de inferioridade. Veja: você estuda, lê, escreve um blog sob o intuito de que as pessoas leiam o que você escreve e te admirem por isso, e você vai e me faz uma cagada dessas. Simplesmente, imperdoável!
                Mas foi por esse ato que pude perceber quão autopunitivo eu sou; quanto eu não me perdôo por esses tipos de situações. Na verdade, essa situação, especificamente, é tão esdrúxula que a vergonha é o sentimento predominante, inevitavelmente. E foi então que me disseram: “Ah, esquece! Você é só mais um!”.  Pronto, virei estatística.
                Mas, com essa fala tão subestimada do meu erro, foi que comecei a me dar a certos luxos que, até então, me prendiam intensamente. Comer um chocolate por dia, uma peça de roupa por mês, ficar apenas de cueca e camiseta quando se está sozinho em casa. E o que é melhor: na SUA própria casa.
                Depois disso, descobri que se você leva a vida tão a sério, ela te escraviza e você passa a viver controlado por ela, com as responsabilidades que ela te impõe. Assim, você esquece de si próprio. E o tempo vai ficando cada vez mais curto. Tem vezes, como agora, por exemplo, que eu imagino que a vida é um cronômetro. Quando menos esperarmos, nosso tempo acabará e, então, não teremos mais como fazer tudo aquilo que tínhamos planejado ou sonhado.
                Se seu tempo acabasse agora, você teria completado tudo o que gostaria de ter feito?

Vaias e Aplausos

Decepções e agradáveis surpresas para essa semana... Confira!
VAIA:
                Desde que iniciei o Tarja Preta, nunca escondi minha carência de habilidade quanto os assuntos esportivos. Mas, diante dos últimos ocorridos, não há como tapar o sol com a peneira e fazer de conta. Todo o alarido que a Seleção Brasileira de Futebol provocou para essa Copa América foi por água abaixo no último domingo quando, na disputa de pênaltis, o time de Mano Menezes deixou para trás mais um título numa partida ridícula, feia, vexatória e inesquecível – tanto para os brasileiros, tamanha decepção, quanto para os paraguaios, que passaram a ter essa vitória como cartão de visita para as próximas competições -. O aviário que a mídia criou foi tão afoito que envergonhou amantes e não amantes – como eu – do futebol. Pato e Ganso tiveram seus minutos de heróis; a cacatua, calopsita ou seja lá que nome outra ave pode parecer com aquilo mais deu show de mediocridade, infantilidade, arrogância e falta de humildade que esqueceu do que tinha ido fazer lá. Pra completar, os frangos do goleiro que não soube defender os pênaltis da decisão. Aí, você relembra dos erros cometidos ano passado, na copa do mundo da África do Sul e começa a refletir: será mesmo que Dunga foi um técnico tão burro como diziam? Acontece que a vuvuzelas só berram e não fazem aquilo com que se comprometem. E é com esse mesmo espírito que a copa de 2014 se aproxima. E aí, algum problema, Mano? Agora, tem!
APLAUSOS:
                A babaquice do “Zorra Total” sempre foi notória e indiscutível, embora algumas esquetes sempre destacaram e estabilizaram a audiência do programa que está no ar há mais de 10 anos. Mas, nas últimas semanas o “Metrô Zorra Brasil”, com a DILMAquinista  (interpretada pela hilariante Fabiana Karla) no comando. Mas o destaque, realmente, vai para a dupla Valéria (uma transexual encarnada pelo ator Rodrigo Sant’Ana) e Janete (uma amiga lesada, atrapalhada e burra vivida por Thalita Carauta). A dupla desperta boas gargalhadas por suas atuações e suas situações e histórias inconvenientes. O bordão “Ai, como eu to bandida” já caiu nas graças do público e conquistou uma legião de fãs. E eu, como admirador, me senti na obrigação de trazer as divertidas cenas para receberem os aplausos. Afinal, a TV, há algum tempo, vem sofrendo uma carência de bons comediantes – apesar de termos recebido com louvor a equipe do CQC e É Tudo Improviso. O humorístico é exibido pela TV Globo, aos sábados, às 22:15h.

Bruno, o Nuno

[parte II]
                Desconsolados com a perda do amigo, o grupo de amigos, agora com quatro elementos, deu continuidade à vida. Viver o luto de um amigo como Nuno foi a pior dor que já puderam experimentar. No enterro do jovem, Isabela, Marcelo, Mariana e Ítalo vestiram o branco, ao invés do preto, para simbolizar a paz que Nuno transmitia.
                Teriam muitos momentos para serem compartilhados. Mas a ausência que Nuno deixou cavou um buraco no coração de seus amigos. Deixou um vazio tão grande que, a todo o momento, Nuno era lembrado, fosse por uma música, uma paisagem, enfim... Os quatro enfrentavam uma batalha diária: convencer-se de que Nuno não estava mais entre eles e que, fizessem o que fosse, não o teriam de volta.
                Chegou o dia da formatura.  Nuno seria o orador. Depois de revelar sua paixão por Mariana, a turma achou conveniente e elegeu a moça para ocupar aquele espaço na cerimônia. Assim que chamaram Mariana para fazer uso da palavra, uma imensa caricatura de Nuno foi exposta no telão. E, então, Mariana, emocionadíssima, começou a falar:
                - Hoje é um dia especial em nossas vidas. Estamos concretizando um sonho e finalizando uma etapa. Está sendo uma noite linda, indiscutivelmente, mas poderia ser melhor. Há três meses, o destino nos pregou uma peça, um golpe fatal que arrancou um ser tão querido em nossas vidas, o Nuno. Este lugar que ocupo hoje era, por direito, dele. Por isso, jamais poderei substituí-lo. Assim, vou ler a carta que ele me entregou, minutos antes de nos dizer “adeus”.
                Os colegas, que já estavam emocionados, arrepiaram-se. Não sabiam da existência da tal carta escrita por Nuno e isso os deixou ainda mais curiosos. Mariana começou a ler a carta serenamente:
                “E aí, campeões, como têm passado? Espero que estejam felizes, assim como eu devo estar. É difícil falar sobre o futuro. Tantas coisas podem acontecer e, de repente, mudar a história de qualquer pessoa. Eu pensei em dizer tanta coisa... Dizer que vivemos tantos momentos inesquecíveis, que vocês foram importantes em minha vida, que jamais os esquecerei, que foi tudo lindo. Mas, hoje, eu sei que a vida já me tirou esse momento de estar aí com vocês, e, por isso, preciso – e sinto-me na obrigação de – passar algumas dicas e recomendações à vocês: aproveitem a vida, porque, querendo ou não, nunca saberemos o que nos acontecerá amanhã. Amem – este é o único sentimento que morreremos sem entendê-lo, mas jurando tê-lo vivido. Despertem um sorriso nos outros. Isso fará com que te percebam e jamais o esquecerão por isso, ou seja, marque, positivamente, a vida das pessoas. Divirtam-se, porque ser totalmente sério envelhece. Arrisquem-se: vocês nunca terão nada a perder. Desafiem-se! Assim, cometerão alguns erros, inevitavelmente, mas se tornarão maduros e prontos para enfrentar a vida.
                A gente não está na vida de passagem. E, infelizmente, só temos uma oportunidade de conceber essa dádiva. Palavras de quem entende muito bem isso. É, campeões, a hora é agora e eu acredito em vocês. Sonhem, mas sonhem alto, porque o pensamento tem uma força indomável.
                Bom, quanto à mim, espero que ainda não tenham se esquecido. Assim como vocês, sentirei saudades. Mas, um dia, tudo termina. E entendemos que o ‘pra sempre’ é uma utopia. Quem sabe, dia desses, havemos de nos encontrar. Passaremos a conhecer um mundo cheio de anjos. Compreenderemos nossa missão e, então, aceitaremos, com maior facilidade, alguns contratempos que a vida não explica. Fica aqui o abraço daquele que foi um ‘mundante’, mas que aproveitou as oportunidades na mesma busca de qualquer ser humano: a felicidade.
                Nuno”.
                A emoção havia tomado conta do público todo. Mariana foi de encontro à Isabela, Ítalo e Marcelo. Juntos, os quatro olharam para uma das elegantes sacadas daquele luxuoso auditório e, pra a surpresa deles, viram Nuno, sorrindo. Ele estava inteiramente vestido de branco, envolto a uma áurea azul e começou a cantar: “Qualquer dia, amigo eu volto a te encontrar. Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar”.
                Escorreu-lhes uma lágrima sobre suas faces.

                FIM

Vaias e Aplausos

Uma semana louvável! Graças à Deus, tivemos muito mais aplausos que vaias e, por isso, teremos 3 aplausos e apenas uma vaia, discreta e pouco humilhante. Confira!
VAIA:
                Quem assistiu sabe do que estou falando. O que foi  o áudio do “Papo X”, na “TV Xuxa”, com o ator Gabriel Braga Nunes, intérprete do vilão Léo de “Insensato Coração”? Só porque era na casa da apresentadora, insistiram em gravar a entrevista próximo aos pássaros que, ao que se entende, são de criação de Xuxa. Simplesmente, o canto dos bichinhos, por vezes, dominou tanto a gravação que tornou-se impossível a compreensão da entrevista que, cá entre nós, é um dos melhores quadros da atração. Mando malzão, hein? TV Xuxa, como o próprio nome sugere, é apresentado pela ex-apresentadora infantil – profissão que tem virado modinha no mundo artístico – e exibido pela Rede Globo, aos sábados, às 14:30h.
APLAUSO 1:
                Emocionante mesmo foi a chegada de Laura Cardoso em A Grande Família, na última quinta-feira. O seriado sempre foi um dos ótimos programas, tanto que já completou 10 anos de exibição – a Malhação dos adultos -. Mas, agora, com a chegada de mais uma veterana para se juntar ao time, a atração ficou ainda melhor. Além disso, o último episódio tratou com humor – já tradicional, claro – o tema “Família”. Entretanto, o diferencial ficou por conta da beleza do capítulo, da atuação dos atores, da fotografia (o episódio contou, ainda, com várias cenas de flashback lindíssimas) belíssima, mas, principalmente, do primor da história, da riqueza das emoções e da valorização dos sentimentos de cada membro da família mais unida e ouriçada do país. O episódio “A Mãe de Lineu” tem continuidade e vai ao ar hoje pela TV Globo, logo após “Insensato Coração”.
APLAUSO 2:
                Foi com grata surpresa que recebi a notícia de que “Amor & Sexo” voltaria à grade da TV Globo. O programa já recebeu vários elogios, no início do ano, quando estreou sua segunda temporada na emissora. Por isso, só trouxe novamente ele pela excelência e qualidade da produção. Fernanda Lima, como sempre, impecável, desinibida e elegantérrima; Léo Jaime continua afiado; Os quadros cada vez mais interessantes e, por fim, a totalidade garantindo uma grande audiência, digna de Rede Globo. Às quintas-feiras, o programa vai ao ar logo após a novela “O Astro”.
APLAUSO 3:
                Já era de se esperar que eu comentasse e que “O Astro” recebesse um aplauso, em pé. Na última terça-feira, em comemoração aos 60 anos da teledramaturgia brasileira, estreou o remake da novela exibida nos anos 70, “O Astro”, escrita, originalmente, por Janete Clair – mestre em folhetins de grande repercussão nacional. Nesta versão, Herculano Quintanilha ganha vida na interpretação de um dos atores mais talentosos da nova geração: Rodrigo Lombardi. Carolina Ferraz ocupa o papel de Amanda que, na versão anterior, foi interpretada por Dina Sfat (cá entre nós: Carolina está em sua melhor fase, linda como nunca e, em certas cenas, lembra muito a saudosa atriz a qual substitui na nova trama). Regina Duarte volta à TV em grande estilo, ocupando um lugar de destaque que, há tempos, não tinha. Completando o time, Daniel Filho, como o poderoso Salomão Hayalla, que morrerá misteriosamente, fazendo com que o público relembre a clássica indagação: “Quem matou Salomão Hayalla?” (Curiosidade: esta foi a primeira novela a usar este recurso. Deu tão certo que, no último capítulo, quando seria revelada a identidade do assassino, o ibope registrou 100 pontos). Além destes, Thiago Fragoso, Alinne Moraes, Rosamaria Murtinho, Marco  Ricca, Vera Zimermann, Antônio Calloni, entre outros. Destaco duas presenças neste grande time: Carolina Kasting e Fernanda Rodrigues. As duas estavam sumidas e estão, em cena, brilhantes como nunca. Cito também a trilha sonora que completa a cena de forma estupenda. Além da história, que é um dos maiores clássicos da teledramaturgia, ganhamos esse presente – embora tenha apenas uma duração prevista até outubro (caso a audiência seja grande, até dezembro) – e a volta das grandes novelas para aguçar nossa saudade. Estávamos precisando. Escrita por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, “O Astro” vai ao ar de terça à sexta, às 23h (assim foi anunciada: “a sua novela das 11”) pela TV Globo.

Bruno, o Nuno

[parte I]
Aquele era um grupo de amigos que se encontrava todo fim de semana. Suas festas eram divertidas e, se não tinham o que comemorar, criavam um motivo. Além disso, eram colegas. Estudaram desde pequenos juntos e estavam cursando o último ano do colegial. Dos cinco amigos, Nuno era o mais adorado pelos outros: estava sempre sorrindo, disposto a ajudá-los; topava qualquer diversão para que os cinco saíssem da rotina; animava as festinhas – ainda mais depois de uns goles – com seu jeito alegre e espontâneo.
                Foi então que descobriram que Nuno era portador de uma doença terminal gravíssima. O restante do grupo, no início, ficou extremamente decepcionado. Na verdade, não sabiam como lidar com essa nova situação. Num primeiro instante, confortaram o menino, pois era o mínimo que poderiam fazer.
                Na fase inicial da doença, Nuno tentou seguir sua vida normalmente. Freqüentava  a escola, saía à noite com os amigos e até namorava. Insistia em dizer que não se deixaria abater por aquela doença e acreditava que Deus o salvaria, tamanho o poder e a crença na sua fé. Lamentavelmente, Nuno não sabia que esta doença tirar-lhe-ia a vida antes do que ele imaginava.
                A doença se agravou e Nuno teve de ser hospitalizado. Os laudos médicos mostravam que as chances de recuperação eram nulas e que Nuno não sobreviveria os próximos dois meses.
                Nesses dois meses de vida que os médicos asseguraram à Nuno, o grupo de amigos montou um verdadeiro acampamento no hospital: assistiam à filmes, jogavam dama, xadrez e dominó – a especialidade de Nuno – e, quando Marcelo, um dos cinco amigos, levava o violão, entravam madrugada à dentro, chegando a ser recriminados pelo corpo de funcionários do local. Quando cantavam Cassia Eller, Nuno se deliciava com a poesia da cantora. Mas, agora, ele não sentia o mesmo prazer, especialmente quando ouvia: “Se lembra quando a gente chegou, um dia, acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre, sempre acabar?”. Da última vez que ouviu o trecho, Nuno chorou como se sentisse a proximidade do fim.
                Foi então que, uma semana depois, Nuno teve seu quadro agravado e, como nunca antes em sua vida, viu-se só. Naquela cinzenta manhã de setembro, seus amigos estavam no colégio quando ele sentiu que sua hora estava chegando. Chamou-os.
                Assim que chegaram, os amigos perceberam que Nuno estava irreconhecível: havia perdido 15kg por conta do tratamento, além da palidez e do cabelo que havia perdido.
                Pediu para que se aproximassem. Enquanto chegavam mais perto de Nuno, Isabela e Mariana já estavam chorando. Até mesmo Ítalo – o mais turrão do grupo – já estava com os olhos embaçados por conta das lágrimas. Marcelo, abraçado ao violão, quis disfarçar sua tristeza, mas Nuno não deixou. Abriu seu coração e disse:
                - Não sei se vocês se lembram, mas a primeira música que o Marcelo tirou no violão foi: “Mas você lembra, você vai lembrar de mim, que o nosso amor valeu a pena.  Lembra, é o nosso final feliz, você vai lembrar de mim” – disse cantarolando lentamente com a voz embargada (de emoção e por suas condições), sendo acompanhado pelos amigos -. Eu lembro bem... Eu dividi com vocês grandes momentos da minha vida: do meu primeiro beijo ao meu primeiro porre; os momentos de tensões nas vésperas de provas e minhas lamentações com as notas; foram vocês que aturaram minhas piadas mais sem graça e que riram só para que eu não me sentisse um perfeito idiota. Foram vocês que me deram forças quando perdi meu pai e que estiveram ao meu lado comemorando as minhas conquistas. Um dia, fizemos um pacto de que jamais nos abandonaríamos e, hoje, me sinto um traidor por quebrar essa promessa. Mas prometo voltar para contar como é depois daqui...
                Nuno estava tão fraco que fez a primeira pausa.
                Os outros tentaram mudar o rumo da conversa, mas Nuno não deixou. Precisava falar. E continuou.
                - Por isso, meus amigos, eu tentei, eu lutei. Mas eu não consegui. Por favor, me perdoem por tudo de errado que eu fiz e que, sem querer, os magoei. Aonde quer que eu vá, vou lembrar de vocês eternamente.
                Dito isto, Nuno pediu para que cada um se aproximasse dele, um de cada vez. Quando chegavam à beira do seu leito, Nuno beijava a testa de seus amigos, que o abraçavam chorando. Pediu para que Mariana fosse a última e, assim que lhe beijou a testa, confessou: “Você foi, é e sempre será o grande amor da minha vida”. A menina pôs-se a chorar ainda mais.
                Inevitavelmente, Nuno deixou escorrer uma lágrima e cantou pausadamente: “Esse foi um beijo de despedida que se dá uma vez só na vida”.
Sorrindo, dormiu para nunca mais acordar.

CONTINUA...

Vaias e Aplausos

                Mais uma quinta-feira, mas um dia de “Vaias e Aplausos” no Tarja Preta
VAIA:
                A falta de criatividade da Record ultrapassa limites inimagináveis. Bom, até aí nenhuma novidade. Desde que voltou a produzir folhetins, a emissora de Edir Macedo tem repetido, com bastante freqüência, uma certa expressão nos títulos. A palavra “VIDA” pode ser encontrada em três novelas. “Vidas Opostas” (2006, escrita por Marcílio Moraes) inaugurou a sessão contando a história de Joana, interpretada por Mayê Piragibe, e Miguel, de Léo Rosa, que viviam um amor economicamente desfavorável, já que ela era uma favelada e ele um “mauricinho” da alta sociedade. Um sucesso inquestionável, senão se repetisse mais tarde a mesma proposta de título. Foi a estréia de Cristianne Fridmann na emissora paulistana que trouxe novamente a palavra “Vida” em enfoque: “Chamas da Vida”, em 2008. A trama propunha, do início ao fim, descobrir a identidade de um incendiário. Por fim, a mais recente das três, “Vidas em Jogo”, também de Cristianne Fridmann, conta a história de um grupo de amigos que acerta na loteria. Poxa, mais uma vez a Record perde a credibilidade com seu público, por melhor produzida, escrita e elaborada que sejam suas tramas. Mas, na TV (essa máquina que exige inovação) só há espaço para os melhores!
APLAUSO:
                Demorou, mas chegou! A vingança de Norma (Glória Pires) em Insensato Coração rendeu momentos de se orgulhar da teledramaturgia brasileira, durante a semana inteira. Norma fez de Léo, personagem de Gabriel Braga Nunes, um prisioneiro, humilhando-o, fazendo com que o sociopata comesse sobras de comida, limpasse o chão, dentre outros. Esperar para ver as cenas – desde o momento em que Léo toma conhecimento de quem é a viúva de Teodoro Amaral até as humilhações propriamente ditas – valeram a pena. Um grande presente preparado com muito carinho por Gilberto Braga e Ricardo Linhares, mestres na arte grandes cenas. Destaque também para a interpretação da veterana Glória Pires que vem dando um show no papel da técnica de enfermagem desde o início da trama. Só para constar: parece que Léo vai domar a viúva, transarão e depois ele dará um golpe novamente, deixando-a pobre, como a conheceu. Decepções à parte, vamos lembrar também de outro momento muito marcante na trama que aconteceu na semana passada: a prisão do bancário Horácio Cortez. A trilha sonora – “Que País é Esse?” – deu um toque mágico à interpretação de Herson Capri que, a meu ver, marcou, mais uma vez, a teledramaturgia brasileira. A novela demorou pra cair no gosto do público, mas está tomando conta das emoções dos telespectadores. A reta final da novela já entrou no ar, pois a próxima das 21h está prevista para estrear dia 22 de agosto. “Insensato Coração” vai ao ar de segunda a sexta, pela TV Globo.

Ela

Pequena, tão linda, morena. Ela, que tem o poder de me deixar assim, só em sorrir, me encabula, por saber que ficarei apenas nessa troca de olhares. Fico sonhando em poder te tocar, sentir cada centímetro de ternura que você insiste em exibir como traço fundamental do seu ser.
Quando meu olhar encontra o seu, com a ajuda do acaso, imagino o que deve estar se passando por sua cabeça e então, fecho os olhos e desejo, com todas as minhas forças, que, nesse instante, eu esteja ocupando esse espaço – talvez o único que poderá ser meu em você.
Qualquer dia, eu não vou agüentar, e, como a única forma que poderei tê-la pra mim, vou aceitar um abraço que, para meu consolo, poderá ser para depositar todo o meu carinho e, assim, suportarei todo o desejo de possuí-la, literalmente, nos meus braços...