Céu de estrelas

Numa noite dessas, saí pra fora de casa pra cumprir uma atividade normal, quase habitual, quando, para minha surpresa, encontrei um céu estrelado, que jamais vi em toda minha vida, lindo. Tão lindo que fiquei alguns minutos, parado, de cabeça inclinada para o alto, contemplando aquela beleza toda.
                Quando comecei a admirar, pude perceber que o desenho das estrelas formava o meu nome contornando o seu, como se fosse um verdadeiro manto, em que eu cobria-a com todo o carinho possível. Na verdade, você sabe que nunca vou te fazer sofrer e, que apesar de não ter super-poderes, posso ser seu super-herói.
                Depois, procurei a lua. Não encontrei. Pude, então, sentir a falta e a importância dos meus pais em minha vida. Lá se foi um mês sem vê-los, sem tê-los. E, apesar de nos falarmos quase todos os dias, senti que eles, um dia, me deixariam, assim como a lua deixou as estrelas. Esse pensamento me provocou um calafrio que correu do dedão do pé ao último fio de cabelo.
                Então, uma lágrima – uma só – caiu. Comecei a ver que cada estrela brilhava numa intensidade diferente. Assim, a saudade dos meus amigos falou mais alto, dilacerando esse coração solitário. Senti falta dos encontros, dos risos, dos planos , das bobagens, daqueles abraços, das noites de violão. Desse modo uma música começou a tocar na minha cabeça: “Qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar. Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar”.
                Só então entendi o que aquilo queria me dizer. Afinal, por maior que seja o brilho de cada estrela, é a constelação que tornava aquela noite especial. Então, sem você, longe dos meus pais e distante de todos os meus amigos, tudo perde a importância. Porque se as estrelas brilham, mas brilham juntas, o que poderia ser de mim tão só naquela noite tão linda?
                Me despedi desse momento com o corpo inclinado ,minhas mãos sobre meu peito e, na cabeça, um flashback de todos os pensamentos que haviam me ocorrido. Então, naquela noite sem luar, mas estelar, vi que histórias podem sim ser escritas nas estrelas. Depende da sua capacidade ou vontade de querer escrevê-la.
Fiz o que tinha que ser feito e deixei pra trás aquela que foi uma das noites mais lindas da minha vida.
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Vaias e Aplausos

Mais uma semana cheia de surpresas – excelentes e desagradáveis – para serem atacadas pelo Vaias e Aplausos hoje. Confira!
VAIA:
                A Record insiste e me desanima cada vez mais copiando, literalmente, os formatos das suas concorrentes. Estreou na última segunda (23) o vespertino “E aí, Doutor?” seguindo os mesmos moldes do “Bem Estar”, que estreou na TV Globo em feveria, dia 21. Comandado por Antonio Sproesser Jr., o programa tem, na essência, os mesmos fundamentos do matinal da Globo. Além disso, andei lendo por aí, uma notinha de que a emissora de Edir Macedo já vem trabalhando num programa, ainda sem nome, para as tardes de sábado, seguindo os mesmos passos do “Vídeo Show”, da emissora carioca. Lamento, mas o segundo lugar continuará sendo da Record se persistirem em trazer a audiência para a emissora, tendo as mesmas fórmulas que a dona – eterna, arrisco dizer – do primeiro lugar. E, em termos de profissionalismo e qualidade, a Globo, realmente, não deixa a desejar. “E aí, Doutor?” vai ao ar, às tardes de segunda à sexta, às 16 horas, pela Rede Record.

APLAUSOS:
                Ary Fontoura, Elizabeth Savalla já formavam um casal extremamente cômico e divertido em “Morde & Assopra”. Mas, com a chegada do filho, Áureo, brilhantemente interpretado por André Gonçalves, as cenas tomaram uma graça ainda maior. A rejeição do prefeito Isaías (do veterano Ary) perante às extravagâncias do gay afetado filho permitem com que nos divirtamos com algumas expressões e trocadilhos pra lá de hilárias! O que me surpreende é a versatilidade dos três, afinal, sempre estamos acostumados a tê-los com personagens bastante densos e pouco voltados à esse lado. Embora saibamos do talento de cada um, foi uma grata surpresa, pelo menos pra mim. Situações bastante exageradas ainda apimentam a relação da família e nos impossibilitam de ficar sérios quando o trio aparece em cena. Na verdade, é como se fosse uma sutil terapia [o psicólogo tinha que aparecer, né? Haha], afinal, nos reportamos a um momento de leveza durante o dia com as cenas. Destaco também o texto de Walcyr Carrasco que, além de mestre nessa tarefa, nos emociona e nos diverte a cada capítulo. Só para constar, já perdi as contas de quantas vezes “Morde & Assopra” esteve aqui no Tarja Preta recebendo meus aplausos hehe. A novela de Walcyr Carrasco vai ao ar pela TV Globo, às 19 horas, de segunda à sábado.

Ela é brasileira

Quando ela aparece, sua presença contagia que não há como não admirá-la. Ela canta, dança, apresenta, dá um show. Suas músicas, com letras animadas e ritmo empolgante, não saem da boca de seus fãs e, num instante, viram mania nacional, o hit do momento. Sim, estou falando da Madonna do Brasil, tão famosa quanto, pois seu talento já se espelhou pelo mundo. Ivete Maria Dias de Sangalo não merece um simples comentário nos “Aplausos” da semana e, sim, um post inteiro.
                Baiana, Ivete começou sua carreia na Banda Eva, hoje comandada por Saulo. Anos depois, como muitos outros cantores, desligou-se do grupo para dar prosseguimento a sua carreira solo e não precisou muito para se tornar a melhor cantora do Brasil – a artista já vendeu mais de 15 milhões de discos, ta? haha. Gal Costa, Maria  Betânia, Elis Regina que me perdoem, mas, se tratando de Ivete, não tem pra ninguém.
                Tive a oportunidade de ir a um show da musa, em junho do ano passado (dia 26 para ser mais preciso haha) e foi um sonho realizado. Suas canções já se tornaram verdadeiros patrimônios culturais do país. Uma delas, inclusive (Festa), foi tema da conquista do pentacampeonato brasileiro de futebol. Prova de que estamos falando de uma mestra.
                Acredito que Ivete se destaca tanto pela sua autenticidade. Sua forma espontânea de ser uniu-se ao seu talento e foi a química mais perfeita e que todo artista deseja. Acho graça quando ela se exibe dizendo: “Eu sou linda, eu sou gostosa”! Afinal, auto-confiança é tudo!
                A estrela ainda dança e tem o sangue genuíno da baiana. Trocadilhos à parte, ela sim nos mostra o que é que a baiana tem. No DVD Ao Vivo no Maracanã, Ivete presenteou o público interpretando Corazón Partío ao lado de Alejandro Sanz, só pra citar um exemplo fidedigno de sua versatilidade.
                Preciso destacar também a sua beleza. Afinal, Ivete, apesar não aparentar, já não é nenhum brotinho haha. E, inclusive, já é mãe. Dona de coxas invejáveis e de um sorriso tão vicioso que desperta o nosso.
                Não quero que esse texto fique uma babação de ovo, mas não há quem não admire Ivete Sangalo. Quem não pare o que estiver fazendo para assisti-la no Faustão, por exemplo. Ivete é tão talentosa que se cantasse “Franguinho na panela” faria mais sucesso que a versão original.
                São poucas as notórias trajetórias de sucesso como a de Ivete Sangalo. A artista coleciona qualidades, pois é única e não há comparações com ela. Sangalo marca presença, o que faz dela a estrela que é.
                Não adianta! Sou um fã incorrigível do seu trabalho e, com toda a certeza, ela é uma artista completa. Sem dúvidas, ela é, de longe, a melhor cantora da atualidade. Por tudo isso que já citei e pelas qualidades que são notórias por todo o seu conjunto.
                Pra completar, ainda é brasileira. Recentemente, gravou o seu último DVD no Madison Square Garden, nos Estados Unidos. Ivete Maria Dias de Sangalo é uma artista completa, porque é brasileira. Ela é toda boa, toda boa, toda boa.
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Vaias e Aplausos

                Dia de saber o que andou pintando de mais polêmico na última semana.
VAIA:
Ø  Não que eu precise me preocupar, mas foi assustador ver o preço da gasolina nas últimas semanas. Aqui, em Dourados, pelo menos, não baixou de 2,99 e passou dos 3,05 reais. Se você ousa colocar 10 reais que diferença vai fazer? Sinceramente, ta na hora dos responsáveis – inclusive, das autoridades – reduzir a taxa dos impostos, porque, desse jeito, não há bolso que agüente. Seria mais fácil encher o tanque de gasolina recarregando um cartucho de tinta. Até os postos de combustíveis com o menor preço da cidade estavam com esse mesmo valor. Como disse, não preciso me preocupar, mas a indignação já é suficiente, não acham?
APLAUSO:
Ø  É um talento que estávamos precisando há algum tempo o Brasil estava precisando. Paula Fernandes é, atualmente, a cantora mais admirada da sua geração. Com sua voz grave, a mineira foi aparecendo aos poucos na mídia, mas ficou conhecida ao interpretar a canção “Jeito de Mato”, trilha da novela “Paraíso”  (TV GLOBO, 2009). Agora, com seu primeiro DVD, o público tem reagido com muito entusiasmo. Prova disso? Nas Lojas Americanas, o produto já se esgotou. Além disso, estive visitando algumas outras lojas, onde, casualmente, os televisores exibiam o DVD, os consumidores, simplesmente, paravam para admirá-la. Infelizmente, como ninguém é perfeito, encontrei um defeito na jovem artista: ela ainda não me conheceu haha.

Pode Entrar!

To sentindo cheiro de novo. E essas novidades poderão ser o início de uma nova fase. Afinal, desde que me deram “Start”, elas têm se dado numa proporção muito veloz. Também, não me deram “Pause”. Foi um turbilhão de obstáculos: monstros surgiam do nada e, geralmente, minhas munições já tinham acabado; muros altos eram tão difíceis de serem escalados que, de repente, eu caía, mas não desistia, recomeçava outra vez. Agora, eu conquistei o castelo. E esse castelo agora é meu!
                Foi assim, minha gente. Agora, que o castelo é meu, eu os convido a participar de todas as descobertas desse novo mundo. Afinal, a mudança será em muitos sentidos. A começar por mim mesmo, que passo, de agora em diante, a ter mais orgulho de quem eu sou para que, assim, consiga atrair bons fluidos. Ser auto-confiante, altivo e um pouco mais arrogante. Já que, com humildade, só faltaram me amassar – como se embola um papel – e me tacar na lixeira.
                To aprendendo, do alto da minha torre, ver o horizonte de uma maneira mais ambiciosa, com mais pretensões do que um mero sonhador. A partir deste instante, fica expressamente proibido, a mim mesmo, a quebra de uma meta. Questão de honra!
                Agora, de casa nova, meus fiéis escudeiros, teremos mais um aconchegante motivo para eu não esquecê-los. Afinal, mesmo sozinho, suas companhias serão presença diária e meu vazio será preenchido com a minha maior alegria: escrever para vocês.
                Por isso, hoje não quero abrir, simplesmente, as portas da minha nova casa. Quero que vocês conheçam também a minha nova vida. Com novos desafios e metas para serem cumpridas, pessoas novas sendo agregadas e com muitas histórias a fervilhar por essa imaginação.
                Fique à vontade, porque as portas estarão abertas. Pode Entrar! E seja mil vezes bem-vindo!

Vaias e Aplausos

Os humorísticos serão os bombardeados da vez nessa semana. Confira!
VAIA:
                É um crime o que está acontecendo com o nosso eterno trapalhão, Didi. Comparando aos sucessos de quando ainda era criança com as atuais esquetes do programa “Aventuras do Didi”, simplesmente, é um regresso e/ou uma falta de criatividade absurda! Simplesmente, não têm a mesma graça. São sentido e, ainda por cima, tentam criar uma situação para colocar os artistas famosos [só para constar, até dois grandes artistas de peso, no mesmo dia, já atuaram no dominical]. Uma pena, já que Renato é um dos grandes nomes da TV, infelizmente. “Aventuras do Didi” vai ao ar aos domingos, pela TV Globo, às 12:30h.
APLAUSO:
                O retorno do Chico Anysio ao Zorra Total como a “Salomé, de Passo Fundo” é simplesmente a salvação do humorístico! Talvez por conta do sotaque que me faz sentir mais à vontade, mas, principalmente, pelas piadas com a presidenta Dilma que são impagáveis!  O talento do ator só nos dá mais orgulho e, assim, podemos perceber a versatilidade do mesmo, já que é dono de um repertório, uma coleção de personagens que causa inveja à qualquer comediante. A atração vai ao ar aos sábados, às 22:30 horas, pela TV Globo.

A espera acabou

Enfim, você chegou. Foi quando eu menos esperava, confesso, mas foi quando eu mais precisava. Me cobriu de alegria e me deixou sorrindo feito um bobo. Me lembro de ter dito, erroneamente, de que já não achava certo esperar por alguém. Pra minha surpresa, foi melhor ainda não ter que esperar. Porque foi mais que mágico, despertou em mim a paixão e me fez acreditar de que estava, realmente, muito bem guardado o que era pra ser meu.
                Essa espera foi tão longa e foi tão difícil te encontrar. Um “quê” de fantasia e mistério que tornou o momento ainda mais mágico. Talvez o cupido tenha resolvido trabalhar naquele instante e nos aproximou velozmente.
                Não estarei sendo exagerado se te disser que vou fazer o impossível, juntar céu e terra, a lua e o sol, mas conquistarei seu coração.
                Ah, princesa... Se entregue; me dê sua mão e vamos viver juntos essa história que está apenas começando e que, se depender de mim, não terá fim.

Vaias e Aplausos

                Vamos ver juntos, nesta quinta-feira, o que aconteceu de bom e de nem tão bom assim, na última semana. É dia de “Vaias e Aplausos”.
VAIAS:
Ø  Não era adepto do conceito de que domingo na TV era um convite ao tédio. Mas estou me considerando o mais novo membro deste grupo, especialmente, quando a falta de atrações no “Domingão do Faustão”, que depois da grade de programação da Globo ter sido reformulada, não tem mais o que apresentar. À essa altura do campeonato, em anos anteriores, estaríamos curtindo o grande reality show da “Dança dos Famosos”. Hoje, inclusive, li algumas notícias de que somente a partir do dia 15, próximo, o quadro voltará a ser exibido, na sua 8ª edição. O dominical apresentado por Fausto Silva vai ao ar às 18 horas pela TV Globo.
APLAUSOS:
Ø  A espera acabou! Finalmente o DVD da série “As Cariocas” foi lançado pela Globo Marcas nessa última semana. A série que foi exibida pela emissora carioca em outubro do ano passado, retrata a vida da mulher carioca, baseada no livro – de mesmo título – de Sérgio Porto. A série contou com a participação de Fernanda Torres, Angélica, Adriana Esteves, Paola Oliveira, Alessandra Negrini, Grazi Massafera, Sônia Braga, Cíntia Rosa, Déborah Secco e Alinne Moraes interpretando as deusas cariocas. Com características peculiares de um grande seriado, a série fez muito sucesso na época de exibição e, particularmente, era um bom programa às terças à noite. Inclusive, Daniel Filho (diretor da primeira temporada) já tem planos de trazer a série ao ar, na TV Globo, ainda este ano. Porém, com título reformulado para “As Brasileiras”. Uma curiosidade: Ivete Sangalo é uma das cotadas a integrar o elenco. Aguardo ansiosamente, desde já. O Box, com dois DVD’s está sendo vendido através do site HTTP://www.globomarcas.com, no valor de 39.90 ou, como diria charges.com, num camelô mais próximo de você.

O amor de mãe

Minha colega, que aqui chamarei de Alice, tem três filhas. A mais velha, com 12 anos, está experimentando os primeiros conflitos da puberdade. Além do desenvolvimento biológico, Alice me contou que a menina recebeu um convite de um namoro e, como mãe, tomou uma atitude com a garota que me sensibilizou. Disse ela à filha: “Peça para que o rapaz venha até mim para conversarmos a respeito”. Em seguida, Alice, em tom confidencial, refletiu comigo e acabei concordando: “Se for caso sério, ele tratará de vir e conversaremos”. No decorrer da conversa, Alice me disse que, de uns dias para cá, tem percebido a menina mais vaidosa. Por fim, perguntei qual era a sensação que tinha quando via sua filha passando por situações como essa. Foi o suficiente para que eu me encantasse pela sua história e, principalmente, pelo amor que Alice deposita na filha. Respondeu-me: “Dá uma coisa ruim na gente. Uma tristeza, sabe? Parece que vou perdê-la”.
                Quero começar, com a história de Alice, a minha homenagem à minha mãe e espero que você, leitor, possa se identificar e se inspirar nela para preparar a homenagem à sua.
                Ser mãe só pode ser uma benção de Deus. Uma missão [quase] impossível que as mulheres são portadoras. Mais uma, na verdade. Mas o que quero, realmente, é provocar um sentimento de responsabilidade. Sim, pois somos causa, culpa e conseqüência de um amor infindável que ela nos devota.
                Passamos por nove meses ligados, literalmente. Nesse período, mal a conhecemos e ela já nos ama. Esse cordão umbilical não apenas nutre nossas necessidades fisiológicas, mas parece ser o verdadeiro elo que transmite todo o carinho. É o início de tudo, mas ela já nos cobre com sua aura maternal. Nesses meses que passamos unidos, somos capazes até de desconfigurar seu próprio corpo e ela nos dá ainda mais o seu amor. Isso pode parecer confuso: “Como pode alguém me amar tanto, mesmo eu a prejudicando em certos momentos?”. Mas esse questionamento vai contra qualquer raciocínio lógico ou abstrato. É, simplesmente, inexplicável.
                Depois, começamos a nos desenvolver. É chegada a hora de darmos os primeiros passos, adquirimos fala e ela está ali, sempre por perto, vigiando o que fazemos, protegendo-nos de todos os perigos.
                Mais a diante, damos início à nossa vida escolar. Passamos a assumir algumas obrigações, mas não deixamos de contar com a ajuda dela. Ao chegarmos em casa, ela nos espera com o lanche prontinho. E essa é a lembrança que, querendo ou não, guardaremos para sempre: o cheio e o sabor dos bolos preparados por ela. À noite, retomamos a lição da cartilha. Já na cama, ela nos conta histórias cheias de fantasia, com cavaleiros corajosos, heróis dispostos a salvar a princesa presa no alto da torre do castelo num reino muito distante dali. Então, pegamos no sono. Ela vai para sua noite de descanso, não sem antes nos cobrir e nos dar um beijinho suave na testa. Durante a madrugada, vai até o nosso quarto umas duas ou três vezes para vigiar nosso sono ou, então, pelo simples fato de apreciar nossa respiração tranqüila e imaginar o que estamos sonhando.
                Continuamos crescendo. As obrigações vão aumentando. E, com elas, vamos perdendo a inocência (afinal, conseguimos entender melhor aquela história das cegonhas e de onde vêm os bebês, né mãe?) e vamos recebendo com mais clareza os valores que ela nos transmitiu e, agora, você começa a ser punido por eles.
                Também começamos a nos sentir donos do mundo e, o que é pior: da nossa própria vida. Daí, surgem os conflitos, inevitáveis. As velhas palmadinhas dão vazão à sérias agressões verbais. Nessas horas, deixamos, insensatamente, que as nossas emoções destruidoras nos dominem. Trocamos as mais doídas farpas e deixamos que os espinhos sobressaiam à beleza das rosas. Esquecemos de valorizar aquela pessoa que tantas vezes curou nossas feridas e nos achou o aluno mais lindo da escola inteira – mesmo não sendo de verdade. São nessas horas que cometemos o maior dos pecados, pois insistimos na frase: “Que culpa tenho eu se não pedi pra nascer?”. À propósito, quem pediu? Mais tarde, vamos entender que o maior presente que uma mãe dá ao seu filho é o dom da vida, pois ela é o único ser que poderia nos dar essa dádiva, essa experiência tão louca. Entendemos que o amor, sem igual, pelo qual ela nos entrega, já é construído a partir daí.
                Nessa fase, também, renegamos toda e qualquer demonstração explícita e pública de carinho: um beijo, um passeio de mãos dadas, ser chamado de “meu bebê” na frente de todos os seus amigos.
                Mas, só iremos nos dar conta da importância de tudo isso quando o destino vir. Ele abrirá nossas mãos com um sopro voraz e nos colocará distante dela. Então, tudo fará mais sentido. Sentiremos a necessidade de alguém como ela disposta a te por no colo assim que você sofrer suas frustrações e decepções. Precisaremos de nossas roupas limpas e perceberemos que elas nunca mais tornarão a ser brancas como foram um dia. Não teremos à quem recorrer para nos curar daquela gripe. E o que é ruim, ainda pode piorar. Afinal, nossos corações, feridos, não terão como ser tratados, simplesmente, com os seus curativos. Além disso, perceberemos quanto fomos tolos abdicando daquele carinho, daquele afago que, até então, nos envergonhara (e este não é um pretérito mais que perfeito, acredite).
                A hora da partida será o rompimento mais brusco e doloroso do cordão umbilical. E hoje, longe da minha mãe, eu não consigo imaginar como seja viver longe de um filho e pensar como o senso comum, que diz, friamente, que cria-se os filhos para o mundo. O que restará serão as lembranças dos momentos que juntos dividimos e das peculiaridades – que, na verdade, são as lembranças mais intensas e freqüentes -. Como das vezes em que assistíamos aos programas de TV, até altas horas, enquanto a casa inteira já estava dormindo. Ou de quando eu ocupava  lugar do meu pai, na cama, quando ele saía para suas viagens de trabalho. De quando íamos ao supermercado e comprávamos tudo o que tínhamos – e o que não tínhamos – direito.
                É, mãe... Seu caçulinha cresceu. E a solidão, longe de você, é tanta que posso perceber que, sem você, eu não sou nada. Mas vou tentando sobreviver mesmo assim. Aquilo tudo que você me falou sobre saber em quem confiar, a ter dignidade e honestidade acima de tudo, que devo arriscar, ter coragem, respeitar os mais velhos; posso te dizer que sei a importância de tudo isso em minha vida e, por mais que eu estude a minha vida inteira, faculdade alguma fornecerá tamanha aprendizagem.
                Por fim, mãe, só posso pedir desculpas pelos momentos em que te fiz perder a paciência e, tudo o que posso fazer para retribuir o seu amor é dando o meu em troca. Eu amo muito você. Assim, encerro a minha homenagem, desejando-lhe FELIZ DIA DAS MÃES com um trecho da música Mãe, dos The Fevers.
                “Eu me lembro, quando eu parti, dos teus olhinhos, vi uma lágrima cair. Se você quiser me ver e a saudade aumentar, MÃE, eu aqui estarei” TE AMO!