Outro dia eu fui convidado para um almoço e, não é novidade pra
ninguém que, desde sempre, nunca gostei de bebida alcoólica. Na verdade, eu não
gosto de cerveja. O gosto da cevada ainda me parece muito amargo. Não que eu
deva satisfações à alguém, muito menos agora, depois que completei 18 anos, mas
não tenho problema nenhum com bebida. É, simplesmente, uma questão de gosto.
Não sou eu, mas meu paladar que rejeita.
Mas foi por causa
desse detalhe que uma das outras convidadas do almoço, quando soube, bradou:
“Que menino chato!”. Eu fingi que não ouvi, sentei atrás dela (Pausa maléfica
de encenação mexicana: roguei as maiores pragas e fiz uma macumba haha Claro
que não!) e fiquei pensando como são as pessoas. Eu, que já tinha chegado mudo,
saí de lá calado. E pensativo.
Daquele
dia em diante, eu pude entender um clichê muito ridículo (que redundante, todo
clichê é ridículo!) que diz que o ser humano julga pela aparência. Na verdade,
eu participei do clichê em suas vias de fato. E, apesar de ser um pouco
constrangedor, eu fiquei pensando como pode alguém te julgar por um simples
fato como esse. A propósito, não sei que conceito abarca a palavra “chato” para
aquela moça, mas, dos conceitos que encontrei no dicionário, consegui
compreender o que ela quis dizer: 6. Que não tem a forma que é habitual ter (ex.: pé chato). 7. Que
não tem originalidade ou carácter distintivo. = ACANHADO, VULGAR 8. Que não
estimula ou não tem interesse. = INSÍPIDO,
VAZIO adj. s. m. 9. [Informal] Que ou quem aborrece ou
incomoda.
A partir daquele
comentário tão banal e ignorante, eu desenvolvi uma série de teorias que
explica muito desse hábito tão feio que o ser humano tem em tratar o outro de
acordo com os seus princípios. Então fica determinado que todo aquele cidadão
que, mesmo pagando suas contas, lavando suas cuecas e sendo responsável por
seus atos, será classificado como uma pessoa “CHATA” desde que não usufrua de
todo tipo de bebida que contenha x% de teor alcoólico. Mas imagine se fosse eu
que pusesse em prática o que eu penso daqueles que bebem alteradamente? Então
ficaria determinado que todo aquele cidadão que, mesmo pagando suas contas,
lavando suas cuecas e sendo responsável por seus atos, será classificado com
uma pessoa “CHATA” desde que usufrua de todo tipo de bebida que contenha x% de
teor alcoólico.
O mais triste não é
saber que você é um chato porque não bebe. Triste mesmo é ver que as pessoas
não têm critérios pra te avaliar. Antes de saber o que eu faço, o que eu penso,
eu já sou definido por aquilo que eu aparento ser. É por isso que a sociedade é
burra e preconceituosa: porque pensa que quem usa franja pro lado é emo, porque
se você ri alto quer chamar atenção, tatuado é drogado, que mini-saia é coisa de
puta.
A questão não é o
que as pessoas pensam a seu respeito. Na verdade, o problema está em quem você
vai escolher ouvir: os que te conhecem há algum tempo ou os que, por uma opção
sua, te depreciam. Certamente, aqueles que sabem quem você é, têm uma visão
muito mais aguçada e precisa acerca da sua índole e do seu caráter. Enquanto os
outros falam o que pensam e julgam sem conhecer, há aqueles que vão saber te
qualificar, mesmo apontando seus defeitos, mas serão certeiros e inteligentes
para te definirem. Mas, como tudo na vida é uma questão de escolhas, eu escolho
ser o chato. O chato que não bebe – ainda, porque vai que né -, mas que é muito
além disso.
NÃO PERCA!!
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