Já não é como era

Quando me perguntam do que eu tenho saudade da minha infância, eu relembro de tudo o que vivi, mas destaco as brincadeiras. Hoje, parei e analisei e vejo que o que me faz mais falta é a ingenuidade.  Porque, quando se é criança, não há maldade e tudo o que você fala não tem um valor “moral”. Tudo é visto sob uma ótica que traduz sentimentos verdadeiros, mas que se alteram conforme se dão os acontecimentos.
                Hoje, a tecnologia e a modernidade vêm transpondo todo esse encanto. Pude perceber em algumas crianças que programas de TV não fazem o menor sentido se comparados ao computador. Brincar, correr e pular não tem a mesma preferência e a mesma aceitação que se tinha como antigamente. A máquina fotográfica, então um artigo de luxo, hoje uma necessidade. A agressividade dos desenhos animados ficava apenas no eterno conflito entre o bem e o mal, ao contrário de hoje, em que a violência é característica de todos os personagens.
                Conseqüentemente, essas personalidades vão se moldando e estruturando a pré-adolescência. Um período, a meu ver, perigoso, se não aproveitado de maneira correta. E é aí que eu queria chegar. Tenho certo repúdio por algumas criaturinhas dessa idade que querem expor o que são e o que sentem e, muitas vezes, apelam para estupidez. Vejamos: mal saem de casa sozinhas, já vão se envolvendo com os primeiros que vêem pela frente. Bebem. Mas bebem tanto que chegam a passar mal. Mas bebem mais ainda com o objetivo de, subentendidamente, dizer: Eu me garanto! Bebem também para tirar fotos e expor nas redes sociais para exibirem-se.  Sem falar no autoritarismo e, no principal: a pretensão de querer ser gente grande.
                Convivi, desde pequeno, em minha casa, com pessoas adultas. Isso facilitou para que eu, mesmo com algumas falhas, amadurecesse e construísse minhas opiniões. Entretanto, em momento algum, minha família deixou de me fazer criança. Deu-me toda a liberdade para essa fase – que, é a melhor e, infelizmente, não temos como voltar atrás -, mas também me fez entender que tinha compromissos a serem seguidos. E é nesse ponto que vejo que os pré-adolescentes de hoje estão pecando. Essas atitudes, que, na verdade, são infantis, provam a desestruturação dos pensamentos dessa nova geração.
                Como já mencionei, a única relação ou explicação que tais atitudes, anteriormente citadas, podem ter é o desejo de querer ocupar lugares “proibidos” à eles, ou seja, ter as mesmas vantagens que os adultos ou adolescentes de idades mais avançadas.
                Conclusão: Acredito que cada fase da vida deve ser aproveitada ao máximo, permitindo-se a vivência de novas aventuras, diversões e desafios que, muitas vezes, a própria vida nos apresenta. O que não acho certo é que pulem essas etapas, pois, mais tarde, só restará a saudade e o desejo de voltar ao passado, na intenção de resgatar tudo aquilo que deixou de ser vivido, ou gozar da liberdade e vantagens que cada estágio da vida possui.



ps: devido alguns contratempos tecnológicos ocorridos no decorrer das duas últimas semanas, deixei as publicações. Mas, já estamos na ativa novamente. Espero que gostem, Um abraço...

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