arquivo pessoal
Não, não entrei em crise. Até porque eu vivo em crise – haha. Apenas comecei a considerar justa a idéia de que não deveríamos crescer. Pra que, se a vida de criança é tão gostosa? Logo que eu comecei a escrever pro Tarja Preta, postei um texto em que desprezava as crianças que gostavam de aparecer como adultas. E, é com esse espírito que discorro, agora, sobre o arrependimento que sinto por não ter aproveitado mais esta fase tão rica, marcada por inocência e liberdade desconhecida por quem a vive.
A bem da verdade, a idéia de escrever sobre a infância surgiu enquanto eu assistia uma menininha brincar. Além de toda diversão, pude perceber que criança, quando brinca, não desfaz o outro pelo que é: simplesmente, desfruta-se da companhia e, juntos, compartilham uma imaginação tão criativa, capaz de expressar seus maiores desejos. Foi assistindo esta criança brincar que percebi que, enquanto somos criança, vivemos tão livres que não nos importamos com as sujeiras que nos encontramos no fim das brincadeiras ou o quanto nos lambuzamos ao devorar aquele cachorro-quente.
Ser criança é tão bom que você pode dizer aquilo que você pensa sem precisar se preocupar com as conseqüências. Pior é que ainda há os que acham bonito tanta sinceridade. Na verdade, não sei por que perdemos isso no decorrer da nossa existência. Talvez seja por isso que seja difícil se acreditar no ser humano nos dias de hoje.
PC Siqueira, internauta famoso, conhecido por ter opinião sobre tudo, disse, certa vez, que, quando se é criança, somos tão inocentes a ponto de acreditar que ser adulto é legal. Realmente, uma utopia das grandes. Não há nada melhor que ser criança, viver num mundo mais colorido, com mais diversões do que obrigações, com menos responsabilidade, onde todos te querem bem, te protegem e riem das suas piadas, mesmo não tendo a menor graça.
Eu assumo. Bato no peito – com convicção – e assumo: queria ser criança outra vez. Só mais uma vez – e pra sempre! É um tempo fantástico, em que sua maior preocupação é escolher o desenho que irá assistir, depois de acordar lá pelas dez da manhã. Um estágio da vida em que os únicos obstáculos a serem vencidos são do Mário Bros. Queria ser criança de novo, ter tempo para admirar as ondas formadas no laguinho depois de uma pedra lançada, de brincar com um barquinho de papel, acreditar que, por trás do arco-íris deve existir a felicidade. Dentre as coisas tangíveis, as sentidas: crer que Deus existe, que as pessoas são confiáveis e que o mundo é justo.
Ser adulto é uma merda! Você vive rodeado de preocupações, contas a pagar, explicações a dar. Priva-se de tudo aquilo que é simples, que te faz bem e só não faz por medo do que os outros vão pensar. Há tanta fofoca, doenças e más notícias que se torna difícil manter intacta a inocência e a pureza de quando se é criança.
Outra citação que, apesar de desconhecer a autoria, admiro muito, é aquela: “Queria ser criança de novo. Joelhos machucados curam-se bem mais rápidos do que corações partidos”. Afinal, na infância, é tão mais simples se curar os feridos. Nada que um bom curativo não resolva. Agora, quando a dor é do coração, não há remédio que resolva! Mágoas de criança também passam mais rápido. Nada que um pirulito pra comprar a confiança do outro – haha. E, se é mal de amor, tem a vantagem de, a cada semana, ter um amor novo, sentir aquela sensação de apaixonadinho todo dia, toda hora.
A maior injustiça do mundo é de não termos a chance de escolher ser o que o destino, simplesmente, nos impõe. Eu não gostei de ter crescido, apesar de, nesse tempo, ter aprendido muita coisa e ter vivido muitas alegrias. Mas, honestamente? Ser criança me completaria de uma forma bastante plena. Teria meus pais por perto, não me preocuparia com cobranças e exigências e, sobretudo, seria feliz.
Ei, Papai do céu, me transporta praquele tempo bom, de novo? Só pra eu não precisar ficar remoendo essa saudade e alimentar essa nostalgia? Pra que eu brinque, me suje, me divirta, não esconda o que eu penso dos outros e, principalmente, que eu não tenha as preocupações que têm povoado a minha – precocemente desgastada – cabeça. Por favor, por favor?

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