Confissões de um consumista pobre

O olhar arregala. As mãos suam. Você começa a tremer. Seu coração parece sair pela boca. Mas, basta ver aquela plaquinha com o dizer “PROMOÇÃO”, que você começa a agir como a descrição acima mencionada.
                 Então, você dá uma conferida no material – antes mesmo da conferida na carteira – e a coceirinha se junta ao suor da mão. Impulsivamente, você entra na loja e, quando se dá conta, já está com os braços cheios de cabides. A atendente se dirige até você e pergunta se está precisando de sua ajuda. Você, que mal sabe porque veio parar ali, só consegue responder: “Obrigado, mas só estou dando uma olhadinha!” e sorri um sorriso amarelo.
                Pode até ter um pouco de bom gosto, mas grana mesmo, você não tem é nada! Mas não se contenta, sem antes, no mínimo, ir para o provador e se ver usando as peças por 15 segundos. É quase a história da Cinderela: depois da meia-noite, tudo volta o seu estado normal.
                Ao sair do provador, a atendente vai querer saber se alguma lhe serviu, se alguma deu certo. É óbvio que deu, que você gostou de todas. Se você sabe que não terá condições de levar, dirá: “Deu certo, mas eu preciso dar um pulo logo ali e, na volta, eu passo pra levar” e não volta nunca mais, até o tempo de esquecerem que você esteve ali. Entretanto, se com alguns reajustes no orçamento, você decide por levar, a moça – ou o rapaz, sei lá – vai saber só de olhar no seu rosto.
                A maior preocupação de um consumista pobre é chegar até o caixa e ver seu carrinho se esvaziar com alguns itens sendo deixado de lado devido o aumento dos dígitos do valor a ser pago. Pior ainda: quando o cartão rejeita a efetivação do pagamento. Nesse momento, você sua um pouco além do esperado. É um suor frio que desce de sua testa e gela seu corpo inteiro. Então, você olha pro alto, esperando vir uma idéia que lhe tire daquela situação um tanto constrangedora. Você pensa em fazer alguns remanejamentos na divisão da compra (tanto à vista, tanto no débito e o restante no crédito), mas sua situação poderia ser pior e você passaria por um vexame ainda maior, já que a fila atrás de você, além de impaciente, está dando voltas dentro dos corredores do estabelecimento. Seu olhar, ainda no alto, perdido na imensidão de seus pensamentos, começa a sentir a presença de um objeto fixado à parede daquele lugar. E tudo parece uma cena clássica de um filme de Hollywood com aquelas trocas de olhares de primeiro encontro que até o vento esvoaça seu cabelo e entra um música apaixonada. E você lê: “Até 15 vezes sem juros”. É o fim de um dilema!
         Você sai de lá com o peito estufado e com as mãos cheias de sacolas, se sentindo o “Todo Podero$o”. Com um sorriso no rosto, vai embora. Afinal, ninguém precisa saber o valor das parcelas, o número delas e se era liquidação ou não. O fato é que você se sente bem e isso não há valor que pague, não tem preço.

Minha síndrome de Peter Pan

arquivo pessoal
                 Não, não entrei em crise. Até porque eu vivo em crise – haha. Apenas comecei a considerar justa a idéia de que não deveríamos crescer. Pra que, se a vida de criança é tão gostosa? Logo que eu comecei a escrever pro Tarja Preta, postei um texto em que desprezava as crianças que gostavam de aparecer como adultas. E, é com esse espírito que discorro, agora, sobre o arrependimento que sinto por não ter aproveitado mais esta fase tão rica, marcada por inocência e liberdade desconhecida por quem a vive.
                A bem da verdade, a idéia de escrever sobre a infância surgiu enquanto eu assistia uma menininha brincar. Além de toda diversão, pude perceber que criança, quando brinca, não desfaz o outro pelo que é: simplesmente, desfruta-se da companhia e, juntos, compartilham uma imaginação tão criativa, capaz de expressar seus maiores desejos. Foi assistindo esta criança brincar que percebi que, enquanto somos criança, vivemos tão livres que não nos importamos com as sujeiras que nos encontramos no fim das brincadeiras ou o quanto nos lambuzamos ao devorar aquele cachorro-quente.
                Ser criança é tão bom que você pode dizer aquilo que você pensa sem precisar se preocupar com as conseqüências. Pior é que ainda há os que acham bonito tanta sinceridade. Na verdade, não sei por que perdemos isso no decorrer da nossa existência. Talvez seja por isso que seja difícil se acreditar no ser humano nos dias de hoje.
                PC Siqueira, internauta famoso, conhecido por ter opinião sobre tudo, disse, certa vez, que, quando se é criança, somos tão inocentes a ponto de acreditar que ser adulto é legal. Realmente, uma utopia das grandes. Não há nada melhor que ser criança, viver num mundo mais colorido, com mais diversões do que obrigações, com menos responsabilidade, onde todos te querem bem, te protegem e riem das suas piadas, mesmo não tendo a menor graça.
                Eu assumo. Bato no peito – com convicção – e assumo: queria ser criança outra vez. Só mais uma vez – e pra sempre! É um tempo fantástico, em que sua maior preocupação é escolher o desenho que irá assistir, depois de acordar lá pelas dez da manhã. Um estágio da vida em que os únicos obstáculos a serem vencidos são do Mário Bros. Queria ser criança de novo, ter tempo para admirar as ondas formadas no laguinho depois de uma pedra lançada, de brincar com um barquinho de papel, acreditar que, por trás do arco-íris deve existir a felicidade. Dentre as coisas tangíveis, as sentidas: crer que Deus existe, que as pessoas são confiáveis e que o mundo é justo.
                Ser adulto é uma merda! Você vive rodeado de preocupações, contas a pagar, explicações a dar. Priva-se de tudo aquilo que é simples, que te faz bem e só não faz por medo do que os outros vão pensar. Há tanta fofoca, doenças e más notícias que se torna difícil manter intacta a inocência e a pureza de quando se é criança.
                Outra citação que, apesar de desconhecer a autoria, admiro muito, é aquela: “Queria ser criança de novo. Joelhos machucados curam-se bem mais rápidos do que corações partidos”. Afinal, na infância, é tão mais simples se curar os feridos. Nada que um bom curativo não resolva. Agora, quando a dor é do coração, não há remédio que resolva! Mágoas de criança também passam mais rápido. Nada que um pirulito pra comprar a confiança do outro – haha. E, se é mal de amor, tem a vantagem de, a cada semana, ter um amor novo, sentir aquela sensação de apaixonadinho todo dia, toda hora.
                A maior injustiça do mundo é de não termos a chance de escolher ser o que o destino, simplesmente, nos impõe. Eu não gostei de ter crescido, apesar de, nesse tempo, ter aprendido muita coisa e ter vivido muitas alegrias. Mas, honestamente? Ser criança me completaria de uma forma bastante plena. Teria meus pais por perto, não me preocuparia com cobranças e exigências e, sobretudo, seria feliz.
                Ei, Papai do céu, me transporta praquele tempo bom, de novo? Só pra eu não precisar ficar remoendo essa saudade e alimentar essa nostalgia? Pra que eu brinque, me suje, me divirta, não esconda o que eu penso dos outros e, principalmente, que eu não tenha as preocupações que têm povoado a minha – precocemente desgastada – cabeça. Por favor, por favor?

Vaias e Aplausos

De volta, o Tarja Preta traz o que andou circulando na última semana: destaques, vexames e decepções compõem o primeiro Vaias e Aplausos de outubro.

VAIAS:

                Achei de uma ignorância gigantesca o que fizeram com a cantora baiana Claudia Leitte, que se apresentou no primeiro dia do Rock In Rio, dia 23 de setembro. Abalada pela crítica, Claudia Leiite postou um texto em seu blog desabafando e, infelizmente, comparou os admiradores do rock aos seguidores de Hitler. Tudo bem, reconheço a falha da cantora. Acontece que, uma semana depois, quando Ivete Sangalo – também baiana e, por conta do público, rival de Claudia -, entrou no palco e, por mais merecido que tenha sido, menosprezou o talento de Claudia Leitte. O mais impressionante e “revoltante” nessa história é que o público, simplesmente, achou lindo blasfemar o show de Claudia comparando com o de Ivete. No twitter, fãs utilizaram a hashtag #sentalaclaudia para demonstrarem toda a felicidade da suposta humilhação que Ivete teria causado na sua “concorrente”. Preciso registrar nesse espaço que me envergonha muito esse feito, já que o Rock In Rio é um evento que reúne artistas do mundo inteiro. Ter um brasileiro no palco do Rock In Rio pode-se dizer que não é questão de luxo, é questão de necessidade. Expor o talento dos brasileiros é o que deve ser feito para que nossa cultura seja cada vez mais e mais difundida num mundo em que os brasileiros são, praticamente, despercebidos. Além disso, há tanto espaço para as duas! Não é preciso que haja esse tipo de picuinhas e intrigas entre artistas tão bem quistos e tão admiráveis como Claudia Leitte e Ivete Sangalo. Sucesso a elas! (Na imagem a seguir, alguns dos "maldosos" comentários dos usuários da rede  Twitter que protestaram contra o show de Claudia Leitte)


APLAUSOS:

                Na trilha sonora de “Fina Estampa”, Ana Carolina é certeza de sucesso. Tema dos personagens Esther Wolkoff e Paulo Siqueira (Júlia Lemmertz e Dan Stulbach, respectivamente), a canção “Problemas” embala as cenas de amor e indecisão do casal. Com uma letra extremamente romântica e apaixonada e uma melodia bastante envolvente, a música é, simplesmente, linda. E qualquer outro adjetivo se torna simples diante deste. Ana Carolina já emplacou diversos sucessos em novelas como, por exemplo, “Quem de Nós Dois” (Um Anjo Caiu do Céu, 2001), “Encostar na Tua” (Celebridade, 2003), “Pra Rua me Levar” (América, 2005) “Nua” (Como uma Onda, 2004), “Aqui” (Desejo Proibido, 2008) – só para citar algumas -. Admirador incondicional do trabalho de Ana Carolina, há tempos estava precisando fazer um elogio e, agora, mais do que nunca, abrilhantando ainda mais o horário nobre da Globo. Abaixo, você confere um vídeo com a música. Confira! “Fina Estampa” tem a autoria de Aguinaldo Silva e é exibida às 21 horas, de segunda à sábado, pela TV Globo.

As quatro estações

                    “Da mãe de meu pai, a quem não cheguei a conhecer, aprendi que, quando cai uma chuva forte, deve-se ir para a rua e lá ficar por uns dez minutos, pois faz bem à saúde. Isso eu ainda faço, e acho que a humanidade é dividida em dois tipos de pessoas: as que usam guarda-chuva e as que não usam”.
Danuza Leão
                Se para Danuza as pessoas se dividem entre as que usam e as que não usam guarda-chuva, eu julgo que as pessoas se dividem entre as quatro estações do ano. Essas conclusões me permitiram separar, criteriosamente, a humanidade. E não por menos, selecionei, a partir de então, os tipos de “pessoas-estações” que quero que me cerquem.
                As pessoas “PRIMAVERA” são uma fofura! Dóceis e sentimentais, estão, a todo o momento, sorrindo e procurando nos fazer sorrir. São meigas, carinhosas, sonhadoras e se apegam facilmente e, conseqüentemente, sofrem por não serem tão correspondidas. Algumas, no entanto, não exigem que tanto amor seja recíproco, pois acreditam que só assim serão aceitas: por suas simpatias e ternuras. Embora seja agradável, a presenças das “pessoas-primavera”, vez ou outra, chega a incomodar: é tanta doçura num único ser que beira à repugnância. Mas a beleza de seu caráter e a habilidade que essas pessoas têm ao nos conquistar acabam ofuscando os seus defeitos, seus espinhos.
                Já as “INVERNO” são o oposto: agem racionalmente, pois preferem não trocar o certo pelo duvidoso. Seus fracassos acontecem em menor proporção, já que a emoção é vista em segundo plano, quase como uma alternativa hipotética. Preferem ser mais discretos e se envolvem com um número restrito de pessoas, tanto social quanto amorosamente. São sujeitos ambiciosos e orgulhosos de si. Geralmente, são pessoas de classe e donas de uma inteligência invejável. Todo mundo, no mundo, um dia, já desejou ser assim. Afinal, convenhamos: não seria maravilhoso ter a cautela de optar sempre pelas decisões concretas e sensatas? Quem discorda, releia o parágrafo e entenda: “um dia” só não faria tão mal assim. Poderíamos usar nossa personalidade “INVERNO” quando as dúvidas mais densas nos apresentassem. E só.
                Ainda tem as pessoas “OUTONO” e, confesso: Sou completamente a-pai-xo-na-do por elas. “MISTÉRIO” é a palavra que melhor as define. Observadoras, qualquer um daria o que fosse preciso para descobrir o que estão pensando. São, em sua maioria, muito atenciosos. Porém, a questão é aproximar-se destes indivíduos. Possuem poucas amizades e, segundo estes amigos, são pessoas agradabilíssimas. Seus relacionamentos dão-se com pessoas de mesmo nível. Não lhes convém por a mão no fogo por quem quer que seja, isto é, não é defensor de ninguém, não pende nenhum lado e, com freqüência, esquivam-se de grandes brigas. É o popular: “não fede nem cheira”, mas é exatamente isso que os tornam encantadores. Instigam nossa mais ignorante inteligência. Seus estilos de vida, aparentemente normais, escondem mistérios que apimentam ainda mais esta personalidade. Excêntricos, impossível não reconhecê-los. E são por essas e outras que os invejo muito. Suas inibições e restrições aos seus mundos particulares são características que eu adoraria possuir.
                Por fim, as pessoas “VERÃO”, que são incrivelmente divertidas. Aproveitam ao máximo cada instante da vida, curtem a presença dos amigos intensamente e não dispensam um convite para uma festa. No amor, são assumidos: muitos não nasceram para brincar disso e, outros, no entanto, são devotos da tese que afirma que um “amor de verão” é para a vida inteira. Suas paixões despertam a chama alheia e há quem diga que são portadores de um fogo difícil de ser apagado. Fazem a linha que perdem um amigo, mas não perdem a piada. Como já disse, são pessoas divertidas e extrovertidas. Aparentam dominar todo tipo de assunto e conseguem, com diplomacia, rir dos problemas, de suas falhas e fracassos. Suas conquistas são merecedoras de grandes honras e orgulhos para os que lhe cercam. Nas horas difíceis, por incrível que pareça, administram com exímia categoria uma postura acalentadora àqueles que necessitam. Atrevo-me a dizer que sua principal qualidade é a amizade, uma vez que são incapazes de divertirem-se sozinhos. Pode parecer contraditório, mas eles sabem que são seres auto-suficientes. São pessoas extremamente leais e protetoras aos seus. No calor de suas emoções, podem dizer coisas que não deviam, ou tomar atitudes por impulso. Mas é nessas altas horas de emoção e adrenalina correndo por estas veias que acontecem os melhores momentos de suas vidas.
                E, então? Qual é a sua estação?

Um país chamado Rio Grande do Sul

"Você, que não conhece o meu estado, está convidado a ser feliz neste lugar.
A serra te dá vinho, o litoral te dá carinho e o Guaíba te dá um pôr-do-sol lá na capital."
Eu sou do sul - Osvaldir e Carlos Magrão

arquivo pessoal

          Há um ano me perguntaram: "O que é ser gaúcho"? Apesar de ser uma pergunta muito fácil de ser respondida, demorei para respondê-la pela complexidade de argumentos que eu precisava expressar para demonstrar todo orgulho que ser gaúcho demanda. Mas, no fim, saiu isso: "Ser gaúcho é poder ter orgulho de uma cultura muito particular. É morar no outro lado do país e chamar pão francês de cacetinho, brigadeiro de negrinho. Ser gaúcho é ouvir Atlântida, ler Martha Medeiros e admirar Gisele Bündchen. Para mim, que há pouco tempo saí das terras farroupilhas, posso dizer que, em nenhum outro lugar, poderá se encontrar um vocabulário tão exótico e uma história tão rica". Hoje, minha opinião continua sendo a mesma, embora tenha muito a acrescentar. E nesse 20 de setembro, DIA DO GAÚCHO, preciso compartilhar a honra que é gritar: "EU SOU DO SUL"!
           Já dizia o poeta que, pra saber quem eu sou, basta olhar para o céu azul e bradar, num grito forte e imponente: "Viva o Rio Grande do Sul"! Nasci na terra do chimarrão, que, de geração em geração, é um costume muito característico deste lugar, herdado das tribos indígenas que, antigamente, habitaram aquele lugar. Afinal, seja de manhã bem cedo ou nos fins de tarde, à sombra da casa, há sempre um bom gaúcho, de bota e bombacha, sorvendo desta iguaria, que passa de boca em boca, criando aquele espírito de comunidade que, outra vez, impressionou o cronista Arnaldo Jabor.
           Trago nas veias o sangue farrapo de um povo guerreiro e hospitaleiro, de uma cultura ímpar e muito significativa para a história do Brasil, seja pela Revolução de 1923 (a dos chimangos - de Borges de Medeiros - e Maragatos - de Assis Brasil) ou pela própria Revolução Farroupilha, em que a ousadia de Bento Gonçalves pretendia separar o Rio Grande do Sul do restante do país (uma lástima!), revolução esta destaca ainda, com a presença do inesquecível casal Giuseppe e Anita Garibaldi.
         Falando em nomes, o Rio Grande do Sul orgulha-se muito das tantas personalidades que já saíram daquele rincão: Getúlio Vargas, presidente do Brasil, Érico Veríssimo, Mário Quintana e Martha Medeiros, escritos de várias gerações que conquistaram um espaço importante na cultura nacional graças ao poder de seus talentos, Gisele Bündchen, a top model mais bem paga do mundo, os atletas Daiane dos Santos, Ronaldinho Gaúcho e Taffarel, que comoveram e emocionaram o Brasil, Família Lima, Adriana Calcanhoto e a saudosa Elis Regina, astros da música, e as estrelas da nossa televisão como as apresentadores Xuxa Meneghel, Patrícia Poeta e Fernanda Lima, os atores Carmo Dalla Vecchia, Werner Schünemann e Ricardo Macchi e as atrizes Cecília Dassi, Julia Lemmertz, Sheron Menezes e Barbara Paz.
           O Rio Grande do Sul também é reconhecido pela beleza da mulher gaúcha. A prova são os resultados no concurso Miss Brasil, que já conquistou 12 títulos, tornando-se líder no ranking. E, em se tratando de competições, temos nosso clássico do futebol, o Gre-Nal que, diferentemente do que costuma acontecer, une torcidas num espetáculo nos gramados do Olímpico ou do Beira-Rio.
           A natureza do Rio Grande do Sul desenha a bandeira do Brasil: desde o céu, que é mais anil, às campinas que têm seu verdejar como se tivessem vida própria. Na capital Porto Alegre, o Guaíba presenteia, diariamente, os visitantes, com um pôr-do-sol digno de filme (confira na foto acima). Gramado e Canela são responsáveis por acolher turistas no inverno, junto com a neve, exibindo paisagens europeias e divinamente lindas. O Rio Uruguai, por fim, pode sr considerado o acalentador dos pampas, pois convida, de modo provocante, a lavar a alma em suas águas.
            Hoje, comemoro, pela segunda vez, o 20 de setembro longe de casa e, principalmente, longe do meu estado. Mas, viver longe do Rio Grande do Sul, não significa afastar-se dos costumes. Numa roda de conversa ,você até puxa mais no sotaque, deixa escapar um "tchê, barbaridade", explicando como são as coisas nesse lugar tão rico. É por conta dessa cultura que, honestamente, o Rio Grande do Sul merece ser considerado um país dentro de outro. Afinal, seja pela vestimenta, pelo vocabulário, pela culinária, pelos costumes, pelas artes, tudo se caracteriza como uma nova cultura, uma cultura que é admirável e, porque não, invejável - ou invejada. Costumo dizer que, antes de ser brasileiro, sou gaúcho. E, um ano após responder publicamente "O que é ser gaúcho?", posso dizer, sucintamente, que é isso: é, primeiramente, ostentar no peito o brasão verdade, vermelho e amarelo, o lema "Liberdade, Igualdade, Humanidade" e cantar: "Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra" para que, em seguida, possa assumir o verde e o amarelo, o "Ordem e Progresso" e a "Pátria Amada, Brasil!". Sinceramente, faltam-me palavras para descrever tanto orgulho. E, longe de tudo isso, passo a exercer uma função de disseminador de nossos costumes, de nossa cultura, de nossa tradição. Hoje, o Rio Grande do Sul é minha identidade.
            Os ídolos gaúchos, Osvaldir e Carlos Magrão, definem muito bem o sentimento de quem já deixou aquele pago na canção "Roda de Chimarrão". E, trago os versos aqui, para explicar um pouco de como me sinto:
             "Eu nasci naquelas terras onde o minuano assovia. Cevando a erva pro mate, chimarreando todo dia. Sou gaúcho de verdade na raça e no coração. Gauderiando em outros pagos, mesmo assim, nas veias trago o sangue da tradição [...] Quando bate uma tristeza, daquelas que a gente chora, dá uma vontade danada de largar tudo e ir embora. Então, eu pego a cordeona e deixo o fole rasgar. Corro os dedos no teclado e, num vaneirão largado, me esqueço até chorar. [...] Quando penso na querência vem a saudade baguala e se acomoda no peito, numa dor que não se iguala. Aí, eu preparo um mate e chimarreio à vontade. Me sento à sombra da casa, parece que crio asas, viajando nessa saudade [...]".
              Para encerrar, em definitivo, um hino da nossa música gauchesca: "Querência Amada"
              "Que Deus saúde me mande. Que eu possa ver muitos anos o céu azul do Rio Grande. Te quero tanto, Torrão Gaúcho! Morrer por ti, me dou o luxo! [...] Meu coração é pequeno porque Deus me fez assim. O Rio Grande é bem maior, mas cabe dentro de mim. Sou da geração mais nova, poeta, bem macho e guapo, nas minhas veias escorre o sangue herói de farrapo. Deus é gaúcho, de espora e mango. Foi maragato ou foi chimango.Querência amada, meu céu de anil. Este Rio Grande, gigante, mais uma estrela brilhante na bandeira do Brasil"!
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