Para sempre amar você
Não tem sido fácil ficar longe de você, minha menina. Desde aquela
noite de luar que a gente conheceu até o último beijo que você me concedeu.
Lembro-me bem: você de branco, com aquele seu cabelo preso, deixando alguns
poucos fios soltos na nuca, os quais acariciei enquanto te beijava. Era uma
noite fria, onde sentamos no cordão da rua e, cobrindo-lhe com o meu casaco,
admiramos a lua e escolhemos uma estrela, como prova de fidelidade. Dali,
saímos cantando, felizes e, entre um passo e outro, trocávamos um beijinho
delicado, como se fôssemos recém conhecidos e estivéssemos só de paquerinha. Te
segurei no colo pra poder passarmos por aquela poça de chuva do dia anterior e
te deixei em casa. Namoramos mais um pouquinho no portão e, depois de nos
despedirmos, esperei você jogar aquele beijinho e se perder por entre aquela
porta.
Ao me virar,
senti um tremor em minhas mãos e um calafrio que me correu por toda a espinha.
Sentei no murinho que corria o restante do quarteirão e comecei a lembrar tudo
o que vivemos juntos: nossos flertes no tempo de escola, nossa timidez no
primeiro beijo e do amor que vivemos tão intensamente. Um raio cruzou o céu e
desandou a chover, inesperadamente. Daquele dia em diante, eu pude ter a
certeza de que nossa história de amor teria uma grande mudança.
Depois de ter
chegado ensopado em casa por conta da chuva, aquela foi a primeira noite que
você não me ligou para dizer o tradicional “Boa Noite”. Ao deitar na cama, como
sempre, fiquei lembrando da noite perfeita que tínhamos acabado de viver. Mais
tarde, eu agradeceria a Deus por ter colocado alguém tão especial na minha vida
quanto você, diria ao Criador que, enquanto eu existisse e o amor existisse em
minha vida, a minha idéia de amor seria só de você.
No dia seguinte, enquanto me arrumava para me
encontrar com você, me ocorreu a idéia de lhe ofertar o maior presente que lhe
pudesse dar. Algo sutil, nada absurdo, já que você não gostava quando eu
dedicava meu amor lhe oferecendo presentes, sendo que meu amor era o maior
presente que eu poderia lhe dar. Mas senti essa necessidade...
Ao chegar na escola, estavam todos, menos você. E,
lembrei daquilo que você me disse: “Solidão é estar no meio de mil pessoas e
sentir falta de apenas uma”. Fiquei preocupado, e durante a manhã toda, não
consegui pensar em outra coisa, a não ser você.
Quando saí de lá, providenciei o seu presente e fui
pra sua casa, a fim de te encontrar. Foi quando, para minha surpresa, um enorme
aviso cobria o portão pelo qual, na noite anterior, havíamos trocado nosso
último beijo. Lia-se ALUGA. Quase enlouqueci. Bati de porta em porta,
procurando por notícias suas, mas ninguém sabia me dizer alguma coisa a seu
respeito. A única informação que tinha era que ali não estava mais morando e
não tinha outra informação acerca de seu outro destino. Talvez estivesse por
perto, talvez eu nunca mais a encontrasse... Nem mesmo seu telefone, agora, eu
tinha.
Depois desse dia, a única coisa que me lembro é que
fui pra minha casa, peguei tudo o que tinha e trouxe para o portão em que
tínhamos nos encontrado pela última vez. Ali eu fiquei pelo resto de minha vida.
Muita gente passou por aquele lugar sem saber o que eu estava fazendo ali,
sentado, sujo e velho. Mas, se eu tinha dito a Deus que, enquanto eu existisse,
minha idéia de amor seria de você, isso é sinal de que eu deveria esperar por
você o tempo que fosse, até você voltar. Em nenhum momento, eu imaginei que
você não voltaria. Na minha solidão, mesmo tendo você no meu coração, muitas
vezes confundi pessoas, acreditando que era você que tinha voltado. Mas, tudo
não passava de um engano.
Ah! E se você quiser saber o que eu preparei de
surpresa pra te entregar naquele dia que você me abandonou, eu te conto. Talvez
isso lhe traga de volta: como prova do meu amor, comprei uma pulseira. Nela, um
coração cravejado de pedrinhas brilhantes. Lhe entregaria o meu coração que,
por toda a minha vida, foi seu. Esse meu coração foi feito só para amar você e,
se ele for só seu, eu não teria como entregá-lo a outro alguém.
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Vaias e Aplausos
Nesta quinta-feira, duas atrações
muito populares são os alvos do Vaias e
Aplausos. Não deixe de conferir!
VAIA:
O
pessoal tá mancando mesmo com a Xuxa, né? Acham que só porque é graciosa pode
apresentar qualquer coisa. Gente, que é isso? O que foi a estréia do “TV Xuxa
Férias”? No mínimo uma tentativa desastrosa de trazer de volta uma versão
estilizada do “Planeta Xuxa”, que a loira exibiu de 1997 à 2002 na mesma
emissora, mas não me agradou. A obrigação de tornar o programa cultural, com
dicas de viagens e moda e o apanhado pelas datas comemorativas deixaram o
vespertino beeeem chato. Antes, com os games, era bem mais divertido! Os
convidados interagindo e mostrando um estilo do qual não conhecíamos. A crítica
argumenta afirmando que o programa da gaúcha se aproximava muito do “Vídeo Game”,
comandado por Angélica nas tarde da Globo. Mas, além dos games, haviam as
entrevistas – que eu, particularmente, achava a parte mais interessante do
programa -, e as competições como o Consurso de Corais, Estilista Revelação,
entre outros. Além disso, o novo cenário pecou e muito! Há uma mini-passarela
para que Xuxa e seus convidados transitem de um palco a outro, a platéia, agora
distribuída em um formato de arena, povoa demais e, atrevo-me dizer, polui a
imagem do programa. É esperar para que seja só uma temporada de “Férias”,
mesmo, com direito a uma leve pausa para restituição do bom programa que a
emissora carioca tinha. Exibido aos sábados, o “TV Xuxa” vai ao ar a partir das
14h30min, pela TV Globo.
APLAUSOS:
Nada
mais sugestivo para a segunda semana de janeiro, a estréia da minissérie “Dercy
de Verdade”. Como o próprio título sugere, conhecer – com o perdão da
redundância – de verdade e a fundo a verdadeira história da comediante
centenária Dercy Gonçalves foi uma boa pedida para essas férias de verão. Com
um elenco primoroso, encabeçado por Heloísa Perissé e Fafy Siqueira no
papel-título, me surpreendi com uma história dramática da atriz que fez a história
do teatro brasileiro. Afinal, Dercy, com toda a sua irreverência, foi conhecida
por sua “boca-suja” e, infelizmente, como garota de programa – o que não é
verdade, como a história mostrou em um tom muito leve e emocionante! Preciso
mencionar mais uma vez o destaque da obra para Heloísa Perissé, que vive Dercy
em sua fase jovem de uma maneira bastante sutil e numa interpretação digna de
todos os aplausos possíveis, e Fafy Siqueira, que dá à fase mais velha de Dercy
a verossimilhança de estarmos assistindo a um teatro em que Dercy nos apresenta
a história de sua vida. Ainda falando de Fafy, sua imitação é outro destaque da
trama que, escrita pela inigualável – quem eu arrisco chamar de A Sra. Janete
Clair dos Anos 2000 – Maria Adelaide Amaral. Um sucesso! Os últimos capítulos
de “Dercy de Verdade” serão apresentados entre hoje e amanhã, pela TV Globo,
após o Big Brother Brasil. Não deixe de assistir, é encantador!
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A eterna e ignorante busca pela perfeição
Júlia é quem eu chamo de uma “suposta conhecida”. E, outro dia, me
encontrei com ela enquanto a ouvia queixar-se para um outro “suposto conhecido”
– que vou batizá-lo de Peixoto – de suas constantes desilusões amorosas. Entre
um conselho e outro, Peixoto tentava, incessantemente, fazer com que Júlia
entendesse que somos capazes de amar inúmeras vezes e cada uma diferente da outra
e que o mundo, atualmente, é muito mais prático do que emocional. Inconformada
com tanta insensibilidade, Júlia pôs-se a indagar Peixoto: se ele tinha, por
hábito, dizer “eu te amo” para a esposa: por exemplo. Peixoto, sincero, disse
que não e que, apesar de manter um relacionamento duradouro com a parceira, tem
a consciência de que o amor que sentia no início do casamento não é o mesmo de
hoje e que o amor, com o decorrer do tempo, amorna e transforma-se mais em
amizade do que em amor, propriamente.
Júlia quase
enlouqueceu. Achou impressionante tanta “frieza” por parte de Peixoto e
perguntou: “Então, como é possível se apaixonar sem se apegar?”. Eu, que, por enquanto, só assistia a aquele
show de experiência de Peixoto, resolvi esclarecer as idéias de Júlia.
Comecei dizendo
que é muito bom estar apaixonado, viver em um mundinho colorido, sentir
calafrios ao ver a pessoa amada, ter o coração batendo mais forte. Mas que
fique bem claro: só até os 15 anos de idade, por favor! Depois, não se há mais
tempo a perder com joguinhos de amor. Os planos, depois dessa fase, precisam
ser colocados em prática e não deve-se prender àquilo que nos escraviza e nos
impede de seguir em frente. E, por fim, me impressionei comigo mesmo quando
filosofei: “Não existe perfeição. Existe uma idealização da perfeição”.
Claro! Essa é a
chave dos grandes segredos. Esperamos um tempão – geralmente, desperdiçado –
procurando alguém que atinja nossas expectativas. (Parêntesis machista:
mulheres são campeãs nessa história) Alta? Confere! Inteligente? Confere!
Classe social desejada? Confere! E ai se o formulário não corresponder ou se
algum item não for preenchido conforme o esperado: cabeças vão rolar!
É por isso que,
hoje, eu não me preocupo mais em encontrar aquela que preencha todos os
pré-requisitos. A partir do momento que o coração fala mais alto, não há o que
se perder.
É justamente por
não existir a perfeição que estamos propensos a cometer mais erros. Óbvio que,
nesses casos, haverão algumas frustrações. Mas, é justamente nesse ponto que
pecamos: é preciso encarar um relacionamento como mais uma tentativa para, pelo
menos no amor, encontrar a felicidade. E, se você encontra a felicidade, ela já
é a própria perfeição! Porque se “TENTARMOS” ser felizes, teremos mais chances
de atingirmos nosso “ideal de perfeição”.
Constantemente,
nos apavoramos quando recebemos a notícia de que casais, com mais de 20 ou 30
anos de compromisso, se separam. Há sempre muita especulação, boatos dão conta
de que haveria de ter algum par de chifres que pudesse explicar. Mas, não!
Acontece que, simplesmente, enquanto viveram juntos foram felizes, e em algum
momento – o da separação, no caso – enxergaram que aquela relação já não se
enquadrava nos “ideais de perfeição” de cada um. Pode parecer simplista demais,
mas eu prefiro chamar de ÓBVIO demais! Vai ver é por isso que haja tanto sexo
casual nos dias de hoje. E acho até mais conveniente a proposta do “Vamos
tentar?” do que “Casa Comigo?”.
Luis Fernando
Veríssimo que disse que é a “pessoa errada” que faz você perder a cabeça.
(Entende-se por pessoa errada: a que não chega no horário combinado, não te
procura nos momentos certos só para que o reencontro seja ainda melhor.) E é
pelo simples fato de que a pessoa “supostamente” perfeita vai te fazer enjoar do
seu jeito, da sua presença – da sua perfeição, realmente – que é melhor
satisfazer-se com os “quase-perfeitos” e que se encaixem naqueles itens que
você espera e que, por mais que não seja preenchido todo o catálogo,
correspondem de alguma maneira com as suas expectativas.
Senhoras e
senhoras – e Júlia, principalmente -, entendam: não percamos tempo esperando
príncipe encantado ou a mulher dos sonhos. Contentemo-nos com aqueles se
propuseram a tentar nos fazer felizes. Saibamos compreender que, por mais que
seja muito bom estar envolvido de cabeça com uma pessoa ou um relacionamento, é
preciso ter uma visão mais realista que romantizada. A vida exige que pensemos
mais praticamente e, infelizmente, é muito triste acreditar que nada dure para
sempre e que – que triste! – nada é perfeito. Encontrar os defeitos,
reconhecê-los e tentar torná-los “aceitáveis” é uma grande fonte de virtudes. E
esse é o gostoso: conviver com os espinhos próximos que uma relação muito
envolvente pode causar. Claro, desde que estes não se deixem por prevalecer. E,
concluindo: já que a perfeição não existe, a simplicidade de um
“quase-perfeito” é que nos chama a atenção e, por isso, nos vemos apaixonando e
desapaixonando constantemente. Essa é a sutil explicação por nos apaixonarmos
pelo primeiro par de olhos que se aparece na nossa frente: ele não é o galã de
novela e ela não está entre as 100 mais sexy da VIP. Eles, simplesmente, sabem
nos fazer felizes – pelo menos por enquanto, enquanto corresponderam aos nossos
“ideais de perfeição”.
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Vaias e Aplausos
O primeiro Vaias e Aplausos de 2012 vem
com uma cena ridícula que se despediu de 2011 e um destaque que vem ganhando a
cena muito merecidamente. Confira!
VAIA:
O
“Show da Virada” trouxe a cena mais bizarra e ridícula que poderia encerrar o
ano: Neymar – sim, o jogador – ao lado de Michel Teló cantando o clássico “Ai, se eu te pego”. Simplesmente,
lamentável! Não sei se foi falta de criatividade ou de atrações para comandarem
o espetáculo, mas o que acontece é que Neymar, como cantor, é um jogador
excelente haha. Na verdade, não que eu aprecie Neymar – mesmo sem desconsiderar
o seu talento -, afinal sua arrogância e auto-confiança acabam com seus
adjetivos e qualidades, mas a TV Globo poderia ter colocado até Roberto Carlos,
no seu showzinho surrado de todo fim de ano que cairia muito melhor.
APLAUSO:
A
novela “A Vida da Gente” tem merecido todos os elogios que vem recebendo. Desde
a estréia, a autora, Lícia Manzo, não perdeu o pique para nos contar uma
história de amores e, como o slogan de início, cheia de vidas. As incertezas,
dramas e desafios humanizam tanto as personagens que permitem com que o
telespectador se identifique com eles. Sem falar que o cenário – o MEU Rio
Grande do Sul – embeleza ainda mais a história. No capítulo que foi ao ar hoje,
podemos conferir detalhes da cultura gaúcha que, ao meu conhecimento, novela
nenhuma levou ao ar, em rede nacional, para efeitos de propagação da história e
cultura do estado e povo gaúcho. Outro destaque da história é a atuação de
Stephany Brito: a atriz vem defendendo com muita naturalidade os dramas de
Alice, sua personagem que se divide entre o pai biológico e o adotivo. Um
merecedor Aplauso para a novela e para a atriz, pois sucessos como esse é que o
público merece ter, todos os dias! Escrita pro Lícia Manzo, a novela “A Vida da
Gente” vai ao ar pela TV Globo, a partir das 18h, de segunda a sábado.
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Quem escreve
- Kenny Teschiedel
- Sagitariano na essência, gaúcho por orgulho e destino e gremista por vontade própria. Conselheiro habitual, psicólogo para o futuro. Aprendiz de poeta, se casou com a escrita e tornou-se amante das palavras. Com 19 anos, dono de uma liberdade rígida e que retém até seus pensamentos. Sentimentos? A saudade e o amor, que são o que lhe bastam. De mais a mais, teria muito mais. Mas aí, só estando dentre o seleto grupo, o qual prefere chamar de “preferidos”.
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