Assim como “Fantástico” está para o domingo, “Profissão Repórter” está para a terça. E foi assim que, numa dessas terças-feiras, assisti o programa que enfocava as experiências alcoólicas dos jovens brasileiros. Os repórteres do programa visitaram as portas das faculdades e festas com forte presença de adolescentes e registraram grandes absurdos. Porém, o que mais me impressionou foi o relato de um pai sobra as constantes investidas de conselhos que ele tem dado ao filho, mas que acabam resultando em grandes, torturantes e violentas discussões.
O garoto cursava – não sei o quê – uma faculdade particular e, ao invés de freqüentar as aulas, torrava o dinheiro do pai, além da pensão que recebia devido à morte da mãe. Assim, nasceu a pergunta-título desse texto: “Em que mundo eu vivo?”.
Como pode alguém ser tão insensato e trocar os investimentos que os pais fizeram sobre ti por uma noite de curtição e bebedeira? Penso que é um absurdo por conta da maneira que enfrento os mesmos desafios. Ninguém disse que a faculdade seria 100% um mar de rosas. Ninguém disse, também, que não teriam festas e eventos para você aproveitar, relaxar e descontrair-se.
Só acho injusto você trair a confiança de quem está se esforçando para que você tenha um futuro, ou então, para que você se garanta. Não há nenhuma preocupação em demonstrar interesse e fazer por onde os pais se orgulhem dos seus méritos.
Então, fico me perguntando se eu que sou tão rígido e inflexível nos meus pensamentos ou se, talvez, seja até correto aproveitar a fase, desperdiçando dinheiro, bebendo até parar num hospital. Fase esta em que os errados não têm um pingo de senso crítico – para não falar “juízo” e parecer ainda mais careta -.
Quando me deparei com as cenas expostas por Caco Barcellos e sua equipe de jovens repórteres, descobri um mundo que eu ainda não conhecia, fortalecendo a mais intrigante das minhas dúvidas. Não tinha noção e fiquei estarrecido quando um enfermeiro relatou, na Festa do Peão e Boiadeiro de Barretos (SP), que não existem diferenças entre meninos e meninas quanto ao índice de embriaguez e/ou coma alcoólico em festas como estas.
E, então, estava à procura de palavras certas para encerrar este texto. Palavras ou momentos certos, como preferir. Foi quando fomos pro shopping com a família, meus pais, eu e minha irmã. Decido atravessar um saguão para admirar uma vitrine (porque se fosse rico teria entrado na loja haha), quando, de repente, uma menina, de, no máximo, 15 anos, vem em minha direção e diz: “Quer um abraço? Abraço é de graça, você não precisa pagar!”. Abracei-a, mas até decidir abraçá-la, mil coisas se passaram pela minha cabeça: seria uma aposta? Ganharia, ela, um prêmio se abraçasse 386 desconhecidos em 10 minutos? Será que alguém estava atrás de mim e ela estava conversando com essa pessoa? Mas, não. Ela realmente só queria um abraço. Meu.
Disse que precisava encerrar este texto com boas palavras ou, então, uma boa situação. A situação, já mencionei. Para mencionar as palavras, precisarei, primeiramente, responder minha pergunta. Descobri que falta muito para eu conhecer o mundo como ele realmente é e que o mundo que eu conheço é totalmente diferente do que pintam. Talvez o meu tenha seu lado sombrio, tal qual o real, mas talvez, mesmo assim, eu ainda preferisse o meu. Agora que já expliquei, deixo as últimas palavras pro conta da inoxidável Paula Toller: “Nada sei dessa vida e fico sem saber. Nunca soube. Nada saberei [...] Vou errando enquanto o tempo me deixar”.
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