Um país chamado Rio Grande do Sul

"Você, que não conhece o meu estado, está convidado a ser feliz neste lugar.
A serra te dá vinho, o litoral te dá carinho e o Guaíba te dá um pôr-do-sol lá na capital."
Eu sou do sul - Osvaldir e Carlos Magrão

arquivo pessoal

          Há um ano me perguntaram: "O que é ser gaúcho"? Apesar de ser uma pergunta muito fácil de ser respondida, demorei para respondê-la pela complexidade de argumentos que eu precisava expressar para demonstrar todo orgulho que ser gaúcho demanda. Mas, no fim, saiu isso: "Ser gaúcho é poder ter orgulho de uma cultura muito particular. É morar no outro lado do país e chamar pão francês de cacetinho, brigadeiro de negrinho. Ser gaúcho é ouvir Atlântida, ler Martha Medeiros e admirar Gisele Bündchen. Para mim, que há pouco tempo saí das terras farroupilhas, posso dizer que, em nenhum outro lugar, poderá se encontrar um vocabulário tão exótico e uma história tão rica". Hoje, minha opinião continua sendo a mesma, embora tenha muito a acrescentar. E nesse 20 de setembro, DIA DO GAÚCHO, preciso compartilhar a honra que é gritar: "EU SOU DO SUL"!
           Já dizia o poeta que, pra saber quem eu sou, basta olhar para o céu azul e bradar, num grito forte e imponente: "Viva o Rio Grande do Sul"! Nasci na terra do chimarrão, que, de geração em geração, é um costume muito característico deste lugar, herdado das tribos indígenas que, antigamente, habitaram aquele lugar. Afinal, seja de manhã bem cedo ou nos fins de tarde, à sombra da casa, há sempre um bom gaúcho, de bota e bombacha, sorvendo desta iguaria, que passa de boca em boca, criando aquele espírito de comunidade que, outra vez, impressionou o cronista Arnaldo Jabor.
           Trago nas veias o sangue farrapo de um povo guerreiro e hospitaleiro, de uma cultura ímpar e muito significativa para a história do Brasil, seja pela Revolução de 1923 (a dos chimangos - de Borges de Medeiros - e Maragatos - de Assis Brasil) ou pela própria Revolução Farroupilha, em que a ousadia de Bento Gonçalves pretendia separar o Rio Grande do Sul do restante do país (uma lástima!), revolução esta destaca ainda, com a presença do inesquecível casal Giuseppe e Anita Garibaldi.
         Falando em nomes, o Rio Grande do Sul orgulha-se muito das tantas personalidades que já saíram daquele rincão: Getúlio Vargas, presidente do Brasil, Érico Veríssimo, Mário Quintana e Martha Medeiros, escritos de várias gerações que conquistaram um espaço importante na cultura nacional graças ao poder de seus talentos, Gisele Bündchen, a top model mais bem paga do mundo, os atletas Daiane dos Santos, Ronaldinho Gaúcho e Taffarel, que comoveram e emocionaram o Brasil, Família Lima, Adriana Calcanhoto e a saudosa Elis Regina, astros da música, e as estrelas da nossa televisão como as apresentadores Xuxa Meneghel, Patrícia Poeta e Fernanda Lima, os atores Carmo Dalla Vecchia, Werner Schünemann e Ricardo Macchi e as atrizes Cecília Dassi, Julia Lemmertz, Sheron Menezes e Barbara Paz.
           O Rio Grande do Sul também é reconhecido pela beleza da mulher gaúcha. A prova são os resultados no concurso Miss Brasil, que já conquistou 12 títulos, tornando-se líder no ranking. E, em se tratando de competições, temos nosso clássico do futebol, o Gre-Nal que, diferentemente do que costuma acontecer, une torcidas num espetáculo nos gramados do Olímpico ou do Beira-Rio.
           A natureza do Rio Grande do Sul desenha a bandeira do Brasil: desde o céu, que é mais anil, às campinas que têm seu verdejar como se tivessem vida própria. Na capital Porto Alegre, o Guaíba presenteia, diariamente, os visitantes, com um pôr-do-sol digno de filme (confira na foto acima). Gramado e Canela são responsáveis por acolher turistas no inverno, junto com a neve, exibindo paisagens europeias e divinamente lindas. O Rio Uruguai, por fim, pode sr considerado o acalentador dos pampas, pois convida, de modo provocante, a lavar a alma em suas águas.
            Hoje, comemoro, pela segunda vez, o 20 de setembro longe de casa e, principalmente, longe do meu estado. Mas, viver longe do Rio Grande do Sul, não significa afastar-se dos costumes. Numa roda de conversa ,você até puxa mais no sotaque, deixa escapar um "tchê, barbaridade", explicando como são as coisas nesse lugar tão rico. É por conta dessa cultura que, honestamente, o Rio Grande do Sul merece ser considerado um país dentro de outro. Afinal, seja pela vestimenta, pelo vocabulário, pela culinária, pelos costumes, pelas artes, tudo se caracteriza como uma nova cultura, uma cultura que é admirável e, porque não, invejável - ou invejada. Costumo dizer que, antes de ser brasileiro, sou gaúcho. E, um ano após responder publicamente "O que é ser gaúcho?", posso dizer, sucintamente, que é isso: é, primeiramente, ostentar no peito o brasão verdade, vermelho e amarelo, o lema "Liberdade, Igualdade, Humanidade" e cantar: "Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra" para que, em seguida, possa assumir o verde e o amarelo, o "Ordem e Progresso" e a "Pátria Amada, Brasil!". Sinceramente, faltam-me palavras para descrever tanto orgulho. E, longe de tudo isso, passo a exercer uma função de disseminador de nossos costumes, de nossa cultura, de nossa tradição. Hoje, o Rio Grande do Sul é minha identidade.
            Os ídolos gaúchos, Osvaldir e Carlos Magrão, definem muito bem o sentimento de quem já deixou aquele pago na canção "Roda de Chimarrão". E, trago os versos aqui, para explicar um pouco de como me sinto:
             "Eu nasci naquelas terras onde o minuano assovia. Cevando a erva pro mate, chimarreando todo dia. Sou gaúcho de verdade na raça e no coração. Gauderiando em outros pagos, mesmo assim, nas veias trago o sangue da tradição [...] Quando bate uma tristeza, daquelas que a gente chora, dá uma vontade danada de largar tudo e ir embora. Então, eu pego a cordeona e deixo o fole rasgar. Corro os dedos no teclado e, num vaneirão largado, me esqueço até chorar. [...] Quando penso na querência vem a saudade baguala e se acomoda no peito, numa dor que não se iguala. Aí, eu preparo um mate e chimarreio à vontade. Me sento à sombra da casa, parece que crio asas, viajando nessa saudade [...]".
              Para encerrar, em definitivo, um hino da nossa música gauchesca: "Querência Amada"
              "Que Deus saúde me mande. Que eu possa ver muitos anos o céu azul do Rio Grande. Te quero tanto, Torrão Gaúcho! Morrer por ti, me dou o luxo! [...] Meu coração é pequeno porque Deus me fez assim. O Rio Grande é bem maior, mas cabe dentro de mim. Sou da geração mais nova, poeta, bem macho e guapo, nas minhas veias escorre o sangue herói de farrapo. Deus é gaúcho, de espora e mango. Foi maragato ou foi chimango.Querência amada, meu céu de anil. Este Rio Grande, gigante, mais uma estrela brilhante na bandeira do Brasil"!
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Ser psicólogo e ser humano


Confrontados sobre o tema em uma das últimas aulas, pude perceber o quanto é difícil assumir dois papéis, sendo você, uma única pessoa. Em que conceitos os leigos, nossos futuros dependentes, abarcam acerca da nossa presente e futura existência?
                Desde que comecei o curso, permiti me posicionar de uma maneira diferente perante a mim mesmo, mas, principalmente, à sociedade – todos os tipos dela -, mas com uma preocupação quase fundamental: assumir essa postura um pouco mais elegante – talvez não seja bem essa a palavra certa -, mantendo intacta a minha integridade e subjetividade, já que as pessoas com as quais convivo me aceitam de tal forma.
                Nas conversas informais, as expressões das pessoas ao descobrirem o que curso que estamos prestando são das mais variadas: desde o arregalar dos olhos ao franzir das sobrancelhas. Para nosso doce deleite, além de nos divertimos com essa situação, tomamos uma condição de superioridade. Assim, parecemos portados de um título de nobreza da atualidade. Afinal, o próprio senso comum, mesmo nós não possuindo tais atributos, por educação, respeito ou consideração, na certa, nos chamarão de Doutor Fulano de Tal.
                Pobres mortais, não têm noção da tamanha responsabilidade que passamos a dotar. São tantos sentimentos e tantas vidas à palma de nossa mão que se traduzem numa tarefa árdua para uma profissão que, apesar de ostentar uma aparência de luxo, exige muito mais do que uma dedicação extra.
                Considero importante salientar que, longe dos estudos, vou tentando manter a mesma postura, até para não perder um pouco da minha essência e não assustar aqueles com quem convivo. Mas, principalmente, não me vidrar tanto e suspender a vida por alguns instantes. Difícil é fazer com que eles suspendam a sua vida junto contigo.
                O exercício é longo e, a partir do momento em que fiz essa escolha, mesmo não tendo me dado conta, assumi um compromisso pra minha vida toda. Amanhã ou depois, formado ou não, ainda olharão pra mim, com a sobrancelha arqueada ou um olhar mais assustado, talvez um sorriso amarelo, quando eu disser que me perdi nos labirintos de Freud. Difícil é segurar a onda e controlar aqueles pensamentos que, um bom psicólogo, não teria tais aptidões.
                A academia nos permite que nos moldemos: no início, crus; no fim, polidos. A certeza, talvez um pouco desconfortável, é que essa estruturação da nossa nova postura precisa se dar durante o período em que estivermos vivendo esse momento de concretização das nossas opções.

Vaias e Aplausos


Prestes a ter seu desfecho revelado, Insensato Coração, a novela das nove da TV Globo chega ao seu fim amanhã, na sexta-feira (19). E, o Tarja Preta, não poderia ficar de fora dessa data especial. Pensando nisso, vamos ver o que foi bom e ruim durante toda a trama. Confira!
VAIAS:
                - A primeira vaia vai pro casal de protagonista, Pedro e Marina, que deixou a desejar desde o início e não me agradou nenhum pouco. A interpretação de Eriberto Leão e Paola Oliveira não me convence e a alta cúpula da Globo insiste em destacar a atriz nos papéis principais de suas tramas.
                - Lázaro Ramos galã? Enfim, a prepotência da personagem “André” interpretada por Lázaro Ramos foi um tanto absurda. Um exagero da parte dos autores, principalmente, quando este dizia: “Desculpa, não repito transa. Seu táxi já está lá em baixo, te esperando” (haha). Enfim, pode ser inveja, também...
                - Sem graça, sem sal, açúcar, pimenta e todos os outros temperos. Paula Cortez, interpretada por Tainá Müller foi outra personagem que não engrenou na trama. Prova disso foi a transformação do namorado, Eduardo (Rodrigo Andrade), que se descobriu homossexual no decorrer da história.
                - A novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares bateu recorde de mortes, assassinatos e afins. Vamos lembrar: Olegário Silveira (o patrão da Norma, Hugo Carvana), Luciana (a noiva de Pedro, Fernanda Machado), Jonas (presidiário, irmão de Sueli, Tuca Andrada), Carmem (a viúva enganada por Léo, Nívea Maria), Araci (a presidiária inimiga de Norma, Cristiana Oliveira), Clarice (esposa de Cortez, Ana Beatriz Nogueira), Milton (pai de Bibi, José de Abreu), Irene (prima de Léo e Pedro, Fernanda Paes Leme), Zeca (comparsa de Léo, André Barros), Gregório (pai de André, Milton Gonçalves), Henrique (empresário do banco Horácio Cortez, Ricardo Pereira), Dalva (falsa amiga de Norma que lhe roubou o que tinha assim que foi presa, Suzana Ribeiro), Teodoro (ricaço que casou com Norma, Tarcísio Meira), Gilvan (homossexual agredido pelo bando de Vinícius que foi espancado até a morte, Miguel Roncato) e a mais recente: Norma Pimentel Amaral – a ex-presidiária inocente que prometeu vingança a Léo por tê-la colocado atrás das grades pelo crime que não cometeu, interpretada por Glória Pires. Nessa nossa contabilidade, forma 15. Se foram só estes, não sei, mas que foram vários, não há dúvidas.

APLAUSOS:
                - Insensato Coração só rendeu por causa da interpretação que Glória Pires deu a sua Norma. Destaque do início ao fim, uma atuação impecável, digna da veterana que já deu vida a tantas outras personagens inesquecíveis como a Maria de Fátima de Vale Tudo e as gêmeas Ruth e Raquel de Mulheres de Areia (que estará de volta no Vale a Pena Ver de Novo, a partir de setembro). Norma prendeu o público numa história de vingança contada com tanta maestria que, por vezes, foi mais interessante           que a das personagens principais. Para aplaudir Glória Pires, só em pé, pois esta soube dar à Norma a tonalidade que a personagem merecia, fazendo com que o telespectador se sentisse vingado em cada uma de suas humilhações à Léo. Assim, a atriz consegue emplacar mais um sucesso que torna sua carreira reconhecida pro tais personagens.
                - As divertidas cenas do trapalhão Douglas (interpretado brilhantemente por Ricardo Tozzi) e da “pegadora” Bibi (da impagável Maria Clara Gueiros) foram outro sucesso da novela. As falas idiotas da personagem de Tozzi renderam boas gargalhas e divertiram o público. Tornaram célebre as cenas em que o rapaz se explicava: “Eu não bebi, Bibi” ou queixando-se das noites mal dormidas “As orelhas da cara”. Até os últimos capítulos, o casal pôde surpreender, pois, no dia do casamento, Bibi apareceu com um vestido vermelho, contrariando o sonho do noivo. Com muito talento, a dupla passa a ser outro gancho de destaque na trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares e será lembrada quando o nome da história for mencionado.
                - O elenco de Insensato Coração contava com um time de excelente gabarito. Antônio Fagundes deu tanta vivacidade a sua personagem, Raul, que me emocionou diversas vezes ao ver-se divido entre o amor de seus filhos. Outro nome que pode ser citado é o da atriz Débora Evelyn, que tantas vezes foi odiada por conta das peripécias de sua personagem, Eunice. A alpinista social só pensava em dar-se bem a qualquer custo, mesmo que isso lhe custasse o amor da família. Além destes, outra Deborah, a Secco. Natalie Lamour foi o que eu chamaria de uma “personagem-faca-de-dois-gumes”: odiada por alguns e idolatrada por outros. No início da trama, Natalie fazia de tudo para conquistar a fama e, por isso, Débora Secco foi muito criticada e comparada à Darlene, sua personagem em Celebridade. No decorrer da trama, Natalie posou nua, casou-se com o banqueiro Horácio Cortez (outro ator talentoso que compôs o Elenco, Herson Capri) e tornou-se a esposa do bandido, culminando no fim de sua carreira. Não poderia deixar de elogiar Helena Fernandes, a Gilda, que mostrou versatilidade ao incorporar uma mulher elegante e dona de conceitos bastante solidificados. Apaixonei-me pela personagem e pela interpretação, que, pelo talento da atriz, é difícil acreditar que era a mesma pessoa que interpretava a homossexual Ipanema, no extinto seriado A Diarista. Só para citar, vale a pena lembrar e considerar nomes como Natália do Vale (a Wanda), Camila Pitanga (a Carol), Rosi Campos (a Haidê), Gabriel Braga Nunes (o inesquecível Léo), Natália Thimberg (a Vitória Drummond), Ana Lúcia Torre (a insuportável Tia Neném) e o casal Giovana Lancelotti e Jonatas Faro (Cecília e Rafael, respectivamente).
                - Insensato Coração ainda contou com algumas cenas tão bem escritas que tornaram-se inesquecíveis para a história da novela e, quiçá, para a teledramaturgia brasileira. Não há como esquecer o capítulo que Horácio Cortez é pego em fuga e Natalie, desastrada, deixa abrir a maleta, voando pelos céus todo o dinheiro sujo adquirido pelo empresário. A beleza da cena foi gigante: trilha sonora perfeita (Que País É Esse? – Legião Urbana) deu o ar de incredulidade que a cena exigia. Isso sem falar na interpretação dos atores que merecem o devido reconhecimento. Outra cena bastante pertinente em minha memória é o encontro de Léo e Norma, assim que ela torna-se viúva de Teodoro. Norma faz com que Léo a busque no cemitério e corta o malandro durante o caminho. Ao revelar sua nova identidade, Léo treme na base, mas não perde a oportunidade de ostentar sua indiferença. E, nesta última semana, pudemos conferir a cena da morte de Norma, gerando a inevitável indagação: “Quem matou Norma?”. Para isso, uma salva de palmas com louvor para direção, de Dennis Carvalho, e autoria: Gilberto Braga e Ricardo Linhares.
                - Cristiana Oliveira é outra que vai ser lembrada eternamente pela sua Araci. Diferentemente de todos os seus trabalhos, a atriz se transformou ao viver a detenta inimiga de Norma e temida por todas as suas outras colegas de cela. Cristiana engordou 15kg para dar mais veracidade a sua atuação. Digna de muitos aplausos, a atriz passa a ser lembrada por Juma, de Pantanal, e pela Araci, de Insensato Coração.
                Num balanço total, Insensato Coração foi uma boa novela, uma boa novela das 9 (como foi anunciada, desde sua estréia, em 17 de janeiro). Demorou para cair no gosto do público, mas teve os elementos folhetinescos que toda boa trama deve ter para atrair seu público. Insensato Coração entra para a história da teledramaturgia brasileira com um saldo positivo e a certeza de boas lembranças para os que acompanharam a história do início ao fim.

Quanto tempo o tempo tem


Comecei a refletir, coisa que tenho feito muito nos últimos tempos e que, modéstias à parte, é o que sei fazer de melhor, sobre como o tempo é injusto e, ao mesmo tempo, justo demais; ao quanto ele é severo, inflexível e o quanto ele é indecifrável. Na verdade, todas essas indagações surgiram após eu ouvir uma das mais lindas canções do grupo “Biquíni Cavadão”, “Quanto tempo demora um mês” [no final desta crônica, você poderá curtir a letra da música].
                Descobri, depois de muito pensar e repensar e pensar de novo, que só o tempo é capaz de explicar algumas coisas. Só ele fará com que algumas situações sigam o caminho que deveriam seguir. Só ele poderá explicar os porquês de sua vida: porque não encontrou alguém assim antes, porque está demorando a encontrar, porque tem que ser assim. Só ele dirá quem está certo ou errado, o que é bom ou ruim para você, o que deve e o que não deve ser feito.
                Através dos tempos, evoluímos. Deixamos de gostar de certas coisas, nos desapegamos. Com o tempo, conseguimos esquecer as mágoas – ou não -, adquirimos maturidade – ou não -, nos transformamos – absolutamente. É através do tempo que tomaremos nossas melhores decisões: precipitadas ou não, acertadas ou não, mas, sobretudo, corajosas. Mas, com o passar do tempo, é que aprendemos a administrar melhor os nossos erros. Talvez deixemos de cometer alguns, por aprendizagem ou ciclo natural; talvez, alguns cometamos pelo simples prazer de errar novamente e começar tudo outra vez.
                E aos que mais precisam do tempo, será que ele costuma passar como deveria? Àqueles que estão à espera de um órgão, por exemplo. Como deve ser difícil esperar o tempo certo... Haja paciência! E aos atribulados? Será que ele deve passar rápido demais? Como fazer para administrar tanta coisa em “tão pouco” tempo?
                Ah, mas há certas coisas que não mudam nenhum pouco. Você pode viver cem anos e tudo ainda estará lá, do mesmo jeitinho que você deixou – ou cativou -. Amor de pai e mãe, é assim. Por mais que você saia, viva longe deles, eles ainda estarão te esperando com as mesmas manias e o mesmo amor inesgotável.
                Mas, sem querer desprezar os sentimentos de ninguém, o tempo deve ser muito injusto aos que sentem saudade, como eu. Só quem sente saudade sabe como é não saber a data certa de um próximo reencontro. Só quem tem um amor de verdade sabe como é contar as horas e os segundos para sentir o gosto do beijo, o toque, o cheiro da pessoa amada outra vez. Só aquele que sente saudade, como eu, sente o prazer em rasgar a folha do calendário, que não vê a hora do dia terminar para que o amanhã passe depressa e, assim, com menos dias longe, chegue o dia da próxima vez. Por mais distantes que sejam, tempo e saudade são duas variáveis que se combinam terrivelmente. Pois a saudade é o que acontece enquanto o tempo te distancia daqueles que você quer bem.
                Toda noite, quando coloco a cabeça no travesseiro e começo a rezar, fico na dúvida se agradeço por mais um dia ou menos um dia. Se for um dia em que o saldo for positivo, óbvio: agradeço por ter a oportunidade de ter aproveitado essa dádiva da vida. Por outro lado, se foi menos um dia, eu fiz tudo o que tinha que fazer? Será que ainda terei as mesmas chances de fazer aquilo que ainda não fiz? Será que meu tempo ainda permitirá com que eu viva todas as emoções, desafios, oportunidades e obstáculos que a vida pode oferecer?
Uma vez eu li uma entrevista da Elza Soares e lhe perguntaram o que ela ainda não tinha conhecimento a respeito da vida e ela respondeu categoricamente: “Quem é o tempo? Vou morrer sem saber quem é este senhor!”. Eu nunca mais esqueci disso e, hoje, me pergunto: Quando é que nos colocaremos frente a frente? Teremos essa chance? E ele nos dirá o porque de termos passado tanto tempo longe daquilo que nos fazia bem? Será esta a hora de colocarmos, em pratos limpos, o porque de termos esperado por tanto tempo para que encontrássemos a energia, magia ou fórmula certa para vivermos de bem com nós mesmos.
                Para encerrar, deixo um pensamento de um autor que desconheço, mas que, verdadeiramente, vai além daquilo que concluí sobre o tempo: “O tempo é muito lento para os que esperam; Muito rápido para os que tem medo; Muito longo para os que lamentam; Muito curto para os que festejam; Mas, para os que amam, o tempo é eterno.”

Quanto tempo demora um mês
Biquíni Cavadão
Composição: Álvaro, Bruno, Miguel, Coelho, Gian Fabra
Acordei com o seu gosto
E a lembrança do seu rosto
Porque você se fez tão linda?
Mas agora você vai embora
Quanto tempo será que demora
Um mês pra passar?
A vida inteira de um inseto
Um embrião pra virar feto
A folha do calendário
O trabalho pra ganhar o salário.
Mas daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...
Se eu pudesse escolher
Outra forma de ser
Eu seria você.
E a saudade em mim agora
Quanto tempo será que demora
Um mês pra passar?
Ser campeão da copa do mundo
Um dia em Saturno
Pra criança que não sabe contar vai levar um tempão.
Daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar.
Mas daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...
Quando você voltar
Daqui a um mês
Mas daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...

Vaias e Aplausos

Nesta quinta, novos destaques contribuíram para a coluna. Confira!

APLAUSO:
             A pergunta que não quer calar: "Quem matou Salomão Hayalla?" Foi com muita expectativa que, na última quinta-feira (04) a novela O Astro exibiu, num capítulo empolgante e elegante do início ao fim, a principal característica da obra-prima de Janete Clair, exibida em 1978. Curiosidade: O Astro foi a primeira novela a utilizar este recurso para prender o telespectador. Obviamente, um sucesso tão acertado que, além de já ter sido utilizado por outras tramas, no último capítulo, o Brasil parou (literalmente) para descobrir a identidade do assassino. No site da trama, uma lista de onze suspeitos auxilia os internautas a desvendarem o mistério. Os nomes são: Adolfo (Reginaldo Faria), Amin (Tatu Gabus Mendes), Clô (Regina Duarte), Felipe (Henri Castelli), Henri (João Baldasserine), Magda (Rosamaria Murtinho), Miriam (Mila Moreira), Nádia (Vera Zimmermann), Neco (Humberto Martins), Samir (Marco Ricca) e Youssef (José Rubens Chachá). As chamadas dos capítulos da novela exibidos durante a semana nos deram a incrível sensação de estarmos revivendo uma época de ótimas novela, como as do tempo em que a trama original fora exibida. A novela O Astro é exibida pela TV Globo, às 23 horas, e é escrita por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, baseada na obra da "Maga das Oito", Janete Clair.




VAIA:
         É divertido, é engraçado, é saudoso e é uma opção diferente aos domingos. Assisti, pela primeira vez, essa semana a "Escolinha do Gugu" e ri, claro, com as idiotices, trocadilhos toscos e piadas fúteis da nova geração da escolinha - que é uma cópia da "Escolinha da Barulho" exibida há muitos anos pela Record. Tudo bem, até aí. Ou, melhor: até ela entrar em cena. Confesso que, no auge de meus 18 anos, já viu coisas que até Deus duvida, mas Geisy Arruda como atriz foi a pior de todas. Sem talento, a ex-universitária interpreta uma moça que é expulsa da sala por conta de seus vestidos - qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Tudo bem, eu admito: não simpatizo com esses "pseudo-artistas" que se julgam atores da noite pro dia. E, no caso de Geisy, a antipatia vem desde sua participação no reality "A Fazenda", na terceira edição, exibida no ano passado. Suportar burrices no domingo já é de rotina do brasileiro, mas Geisy Arruda é tortura, né? A "Escolinha do Gugu" é um quadro dentro do Programa do Gugu que vai ao ar nas tarde de domingo da Rede Record, a partir das 16 horas.