Ser psicólogo e ser humano


Confrontados sobre o tema em uma das últimas aulas, pude perceber o quanto é difícil assumir dois papéis, sendo você, uma única pessoa. Em que conceitos os leigos, nossos futuros dependentes, abarcam acerca da nossa presente e futura existência?
                Desde que comecei o curso, permiti me posicionar de uma maneira diferente perante a mim mesmo, mas, principalmente, à sociedade – todos os tipos dela -, mas com uma preocupação quase fundamental: assumir essa postura um pouco mais elegante – talvez não seja bem essa a palavra certa -, mantendo intacta a minha integridade e subjetividade, já que as pessoas com as quais convivo me aceitam de tal forma.
                Nas conversas informais, as expressões das pessoas ao descobrirem o que curso que estamos prestando são das mais variadas: desde o arregalar dos olhos ao franzir das sobrancelhas. Para nosso doce deleite, além de nos divertimos com essa situação, tomamos uma condição de superioridade. Assim, parecemos portados de um título de nobreza da atualidade. Afinal, o próprio senso comum, mesmo nós não possuindo tais atributos, por educação, respeito ou consideração, na certa, nos chamarão de Doutor Fulano de Tal.
                Pobres mortais, não têm noção da tamanha responsabilidade que passamos a dotar. São tantos sentimentos e tantas vidas à palma de nossa mão que se traduzem numa tarefa árdua para uma profissão que, apesar de ostentar uma aparência de luxo, exige muito mais do que uma dedicação extra.
                Considero importante salientar que, longe dos estudos, vou tentando manter a mesma postura, até para não perder um pouco da minha essência e não assustar aqueles com quem convivo. Mas, principalmente, não me vidrar tanto e suspender a vida por alguns instantes. Difícil é fazer com que eles suspendam a sua vida junto contigo.
                O exercício é longo e, a partir do momento em que fiz essa escolha, mesmo não tendo me dado conta, assumi um compromisso pra minha vida toda. Amanhã ou depois, formado ou não, ainda olharão pra mim, com a sobrancelha arqueada ou um olhar mais assustado, talvez um sorriso amarelo, quando eu disser que me perdi nos labirintos de Freud. Difícil é segurar a onda e controlar aqueles pensamentos que, um bom psicólogo, não teria tais aptidões.
                A academia nos permite que nos moldemos: no início, crus; no fim, polidos. A certeza, talvez um pouco desconfortável, é que essa estruturação da nossa nova postura precisa se dar durante o período em que estivermos vivendo esse momento de concretização das nossas opções.

1 comentários:

eliane disse...

AMEIIIIII primo, fantástico vc é uma pessoa fantástica e escreve como nínguem,Te amoooo

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