Vaias e Aplausos


Prestes a ter seu desfecho revelado, Insensato Coração, a novela das nove da TV Globo chega ao seu fim amanhã, na sexta-feira (19). E, o Tarja Preta, não poderia ficar de fora dessa data especial. Pensando nisso, vamos ver o que foi bom e ruim durante toda a trama. Confira!
VAIAS:
                - A primeira vaia vai pro casal de protagonista, Pedro e Marina, que deixou a desejar desde o início e não me agradou nenhum pouco. A interpretação de Eriberto Leão e Paola Oliveira não me convence e a alta cúpula da Globo insiste em destacar a atriz nos papéis principais de suas tramas.
                - Lázaro Ramos galã? Enfim, a prepotência da personagem “André” interpretada por Lázaro Ramos foi um tanto absurda. Um exagero da parte dos autores, principalmente, quando este dizia: “Desculpa, não repito transa. Seu táxi já está lá em baixo, te esperando” (haha). Enfim, pode ser inveja, também...
                - Sem graça, sem sal, açúcar, pimenta e todos os outros temperos. Paula Cortez, interpretada por Tainá Müller foi outra personagem que não engrenou na trama. Prova disso foi a transformação do namorado, Eduardo (Rodrigo Andrade), que se descobriu homossexual no decorrer da história.
                - A novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares bateu recorde de mortes, assassinatos e afins. Vamos lembrar: Olegário Silveira (o patrão da Norma, Hugo Carvana), Luciana (a noiva de Pedro, Fernanda Machado), Jonas (presidiário, irmão de Sueli, Tuca Andrada), Carmem (a viúva enganada por Léo, Nívea Maria), Araci (a presidiária inimiga de Norma, Cristiana Oliveira), Clarice (esposa de Cortez, Ana Beatriz Nogueira), Milton (pai de Bibi, José de Abreu), Irene (prima de Léo e Pedro, Fernanda Paes Leme), Zeca (comparsa de Léo, André Barros), Gregório (pai de André, Milton Gonçalves), Henrique (empresário do banco Horácio Cortez, Ricardo Pereira), Dalva (falsa amiga de Norma que lhe roubou o que tinha assim que foi presa, Suzana Ribeiro), Teodoro (ricaço que casou com Norma, Tarcísio Meira), Gilvan (homossexual agredido pelo bando de Vinícius que foi espancado até a morte, Miguel Roncato) e a mais recente: Norma Pimentel Amaral – a ex-presidiária inocente que prometeu vingança a Léo por tê-la colocado atrás das grades pelo crime que não cometeu, interpretada por Glória Pires. Nessa nossa contabilidade, forma 15. Se foram só estes, não sei, mas que foram vários, não há dúvidas.

APLAUSOS:
                - Insensato Coração só rendeu por causa da interpretação que Glória Pires deu a sua Norma. Destaque do início ao fim, uma atuação impecável, digna da veterana que já deu vida a tantas outras personagens inesquecíveis como a Maria de Fátima de Vale Tudo e as gêmeas Ruth e Raquel de Mulheres de Areia (que estará de volta no Vale a Pena Ver de Novo, a partir de setembro). Norma prendeu o público numa história de vingança contada com tanta maestria que, por vezes, foi mais interessante           que a das personagens principais. Para aplaudir Glória Pires, só em pé, pois esta soube dar à Norma a tonalidade que a personagem merecia, fazendo com que o telespectador se sentisse vingado em cada uma de suas humilhações à Léo. Assim, a atriz consegue emplacar mais um sucesso que torna sua carreira reconhecida pro tais personagens.
                - As divertidas cenas do trapalhão Douglas (interpretado brilhantemente por Ricardo Tozzi) e da “pegadora” Bibi (da impagável Maria Clara Gueiros) foram outro sucesso da novela. As falas idiotas da personagem de Tozzi renderam boas gargalhas e divertiram o público. Tornaram célebre as cenas em que o rapaz se explicava: “Eu não bebi, Bibi” ou queixando-se das noites mal dormidas “As orelhas da cara”. Até os últimos capítulos, o casal pôde surpreender, pois, no dia do casamento, Bibi apareceu com um vestido vermelho, contrariando o sonho do noivo. Com muito talento, a dupla passa a ser outro gancho de destaque na trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares e será lembrada quando o nome da história for mencionado.
                - O elenco de Insensato Coração contava com um time de excelente gabarito. Antônio Fagundes deu tanta vivacidade a sua personagem, Raul, que me emocionou diversas vezes ao ver-se divido entre o amor de seus filhos. Outro nome que pode ser citado é o da atriz Débora Evelyn, que tantas vezes foi odiada por conta das peripécias de sua personagem, Eunice. A alpinista social só pensava em dar-se bem a qualquer custo, mesmo que isso lhe custasse o amor da família. Além destes, outra Deborah, a Secco. Natalie Lamour foi o que eu chamaria de uma “personagem-faca-de-dois-gumes”: odiada por alguns e idolatrada por outros. No início da trama, Natalie fazia de tudo para conquistar a fama e, por isso, Débora Secco foi muito criticada e comparada à Darlene, sua personagem em Celebridade. No decorrer da trama, Natalie posou nua, casou-se com o banqueiro Horácio Cortez (outro ator talentoso que compôs o Elenco, Herson Capri) e tornou-se a esposa do bandido, culminando no fim de sua carreira. Não poderia deixar de elogiar Helena Fernandes, a Gilda, que mostrou versatilidade ao incorporar uma mulher elegante e dona de conceitos bastante solidificados. Apaixonei-me pela personagem e pela interpretação, que, pelo talento da atriz, é difícil acreditar que era a mesma pessoa que interpretava a homossexual Ipanema, no extinto seriado A Diarista. Só para citar, vale a pena lembrar e considerar nomes como Natália do Vale (a Wanda), Camila Pitanga (a Carol), Rosi Campos (a Haidê), Gabriel Braga Nunes (o inesquecível Léo), Natália Thimberg (a Vitória Drummond), Ana Lúcia Torre (a insuportável Tia Neném) e o casal Giovana Lancelotti e Jonatas Faro (Cecília e Rafael, respectivamente).
                - Insensato Coração ainda contou com algumas cenas tão bem escritas que tornaram-se inesquecíveis para a história da novela e, quiçá, para a teledramaturgia brasileira. Não há como esquecer o capítulo que Horácio Cortez é pego em fuga e Natalie, desastrada, deixa abrir a maleta, voando pelos céus todo o dinheiro sujo adquirido pelo empresário. A beleza da cena foi gigante: trilha sonora perfeita (Que País É Esse? – Legião Urbana) deu o ar de incredulidade que a cena exigia. Isso sem falar na interpretação dos atores que merecem o devido reconhecimento. Outra cena bastante pertinente em minha memória é o encontro de Léo e Norma, assim que ela torna-se viúva de Teodoro. Norma faz com que Léo a busque no cemitério e corta o malandro durante o caminho. Ao revelar sua nova identidade, Léo treme na base, mas não perde a oportunidade de ostentar sua indiferença. E, nesta última semana, pudemos conferir a cena da morte de Norma, gerando a inevitável indagação: “Quem matou Norma?”. Para isso, uma salva de palmas com louvor para direção, de Dennis Carvalho, e autoria: Gilberto Braga e Ricardo Linhares.
                - Cristiana Oliveira é outra que vai ser lembrada eternamente pela sua Araci. Diferentemente de todos os seus trabalhos, a atriz se transformou ao viver a detenta inimiga de Norma e temida por todas as suas outras colegas de cela. Cristiana engordou 15kg para dar mais veracidade a sua atuação. Digna de muitos aplausos, a atriz passa a ser lembrada por Juma, de Pantanal, e pela Araci, de Insensato Coração.
                Num balanço total, Insensato Coração foi uma boa novela, uma boa novela das 9 (como foi anunciada, desde sua estréia, em 17 de janeiro). Demorou para cair no gosto do público, mas teve os elementos folhetinescos que toda boa trama deve ter para atrair seu público. Insensato Coração entra para a história da teledramaturgia brasileira com um saldo positivo e a certeza de boas lembranças para os que acompanharam a história do início ao fim.

2 comentários:

Profe Tati disse...

APLAUSOS para o Tarja Preta!!

Kenny Teschiedel disse...

Obrigado pela gentileza... Temos muito a aprimorar...

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