O preço do esquecimento

Depois que minha vida mudou tanto, alguns fenômenos seriam até compreensíveis. Não, se eu não esperasse que acontecessem tão rapidamente. Ser esquecido é um desses fenômenos que eu só esperaria que acontecessem nos próximos 10, 20, 30 anos, quem sabe. Foi tão rápido que eu só pude reagir da maneira mais infantil, pois não deu tempo nem de criar maturidade pra isso: me chateei.
                Pensei que tivesse feito a diferença na vida das pessoas, que elas se lembrariam de mim pelos momentos em que as diverti, as fiz chorar – de emoção -, as consolei. Pensei que tudo o que vivi com elas não poderia ser apagado assim, tão de repente. Pensei que tudo o que fiz por cada uma delas tivesse valido, por um simples momento, que fosse. Eu queria que os bons momentos que vivi com elas, tivessem se eternizado e se concretizado. Eu não queria que tivesse sido assim. E, se não marquei a vida delas até agora, com tudo o que já fiz, é sinal de que eu não terei outras oportunidades.
                Tantas saudades eu senti, tantos planos eu fiz pra que, quando sentissem a minha falta, lembrassem de alguns momentos bonitos que foram vividos. Das mesmas saudades que senti e dos mesmos planos que fiz, em todos, essas mesmas pessoas estavam incluídas. Por quê? Porque elas deixaram as suas histórias na minha vida o que, ao contrário de mim, não foi uma missão muito difícil. O simples fato delas existirem já foi suficiente para que eu não as esquecesse.
                Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, outros ocupariam o meu espaço. Afinal de contas, eu não sou insubstituível. Mas, hoje, eu aprendi que não posso exigir o amor, o carinho e, principalmente, a lembrança de ninguém. A única coisa que estava dentro do meu alcance – e que já foi feita, modéstias à parte -, era dar motivos para que os momentos que dividi com cada um fossem guardados e inesquecíveis. E agora eu já sei que não pude cumprir essa missão.
                E aí, você se pergunta: o que foi que eu NÃO fiz para que se esquecessem de mim tão cedo? Porque é tão triste ser lembrado só quando precisam de ti, mas é mais triste ser esquecido quando todos os outros são lembrados.
                A solidão, que sempre me fez companhia, só diz que esta é uma dor irremediável. Lágrimas vão surgir, dores vou sentir, mas não há nada que eu possa fazer. É chegado o momento de parar de correr atrás, para ver quem corre atrás de você. Isso é tão fácil de ser escrito, mas tão difícil de ser posto em prática.
                Dói muito ser esquecido por aqueles que foram a sua vida. Mas, assim, você acaba descobrindo que, na vida destes, você foi apenas um capítulo – ou nem isso – na vida deles.
                Pra terminar esse chororô, Caio Fernando de Abreu: “Eu comecei a enumerar nos dedos quem poderia sentir a minha falta: sobraram dedos”.

2 comentários:

Aline disse...

Kenny, muito triste esse teu texto. Não assim guri... Eu gosto de ti e sempre vou lembrar do ervalsequense ruivinho mais do que especial que passou pela minha vida e ficará na memória!

Kenny Teschiedel disse...

Sua gentileza e simpatia me encantam ainda mais! Mas o fato é esse mesmo, infelizmente :( Obrigado pela sua amizade, minha querida, pessoas como voce, impossivel de esquecer!

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