Comecei a refletir, coisa que tenho feito muito nos últimos tempos e que, modéstias à parte, é o que sei fazer de melhor, sobre como o tempo é injusto e, ao mesmo tempo, justo demais; ao quanto ele é severo, inflexível e o quanto ele é indecifrável. Na verdade, todas essas indagações surgiram após eu ouvir uma das mais lindas canções do grupo “Biquíni Cavadão”, “Quanto tempo demora um mês” [no final desta crônica, você poderá curtir a letra da música].
Descobri, depois de muito pensar e repensar e pensar de novo, que só o tempo é capaz de explicar algumas coisas. Só ele fará com que algumas situações sigam o caminho que deveriam seguir. Só ele poderá explicar os porquês de sua vida: porque não encontrou alguém assim antes, porque está demorando a encontrar, porque tem que ser assim. Só ele dirá quem está certo ou errado, o que é bom ou ruim para você, o que deve e o que não deve ser feito.
Através dos tempos, evoluímos. Deixamos de gostar de certas coisas, nos desapegamos. Com o tempo, conseguimos esquecer as mágoas – ou não -, adquirimos maturidade – ou não -, nos transformamos – absolutamente. É através do tempo que tomaremos nossas melhores decisões: precipitadas ou não, acertadas ou não, mas, sobretudo, corajosas. Mas, com o passar do tempo, é que aprendemos a administrar melhor os nossos erros. Talvez deixemos de cometer alguns, por aprendizagem ou ciclo natural; talvez, alguns cometamos pelo simples prazer de errar novamente e começar tudo outra vez.
E aos que mais precisam do tempo, será que ele costuma passar como deveria? Àqueles que estão à espera de um órgão, por exemplo. Como deve ser difícil esperar o tempo certo... Haja paciência! E aos atribulados? Será que ele deve passar rápido demais? Como fazer para administrar tanta coisa em “tão pouco” tempo?
Ah, mas há certas coisas que não mudam nenhum pouco. Você pode viver cem anos e tudo ainda estará lá, do mesmo jeitinho que você deixou – ou cativou -. Amor de pai e mãe, é assim. Por mais que você saia, viva longe deles, eles ainda estarão te esperando com as mesmas manias e o mesmo amor inesgotável.
Mas, sem querer desprezar os sentimentos de ninguém, o tempo deve ser muito injusto aos que sentem saudade, como eu. Só quem sente saudade sabe como é não saber a data certa de um próximo reencontro. Só quem tem um amor de verdade sabe como é contar as horas e os segundos para sentir o gosto do beijo, o toque, o cheiro da pessoa amada outra vez. Só aquele que sente saudade, como eu, sente o prazer em rasgar a folha do calendário, que não vê a hora do dia terminar para que o amanhã passe depressa e, assim, com menos dias longe, chegue o dia da próxima vez. Por mais distantes que sejam, tempo e saudade são duas variáveis que se combinam terrivelmente. Pois a saudade é o que acontece enquanto o tempo te distancia daqueles que você quer bem.
Toda noite, quando coloco a cabeça no travesseiro e começo a rezar, fico na dúvida se agradeço por mais um dia ou menos um dia. Se for um dia em que o saldo for positivo, óbvio: agradeço por ter a oportunidade de ter aproveitado essa dádiva da vida. Por outro lado, se foi menos um dia, eu fiz tudo o que tinha que fazer? Será que ainda terei as mesmas chances de fazer aquilo que ainda não fiz? Será que meu tempo ainda permitirá com que eu viva todas as emoções, desafios, oportunidades e obstáculos que a vida pode oferecer?
Uma vez eu li uma entrevista da Elza Soares e lhe perguntaram o que ela ainda não tinha conhecimento a respeito da vida e ela respondeu categoricamente: “Quem é o tempo? Vou morrer sem saber quem é este senhor!”. Eu nunca mais esqueci disso e, hoje, me pergunto: Quando é que nos colocaremos frente a frente? Teremos essa chance? E ele nos dirá o porque de termos passado tanto tempo longe daquilo que nos fazia bem? Será esta a hora de colocarmos, em pratos limpos, o porque de termos esperado por tanto tempo para que encontrássemos a energia, magia ou fórmula certa para vivermos de bem com nós mesmos.
Para encerrar, deixo um pensamento de um autor que desconheço, mas que, verdadeiramente, vai além daquilo que concluí sobre o tempo: “O tempo é muito lento para os que esperam; Muito rápido para os que tem medo; Muito longo para os que lamentam; Muito curto para os que festejam; Mas, para os que amam, o tempo é eterno.”
Quanto tempo demora um mês
Biquíni Cavadão
Composição: Álvaro, Bruno, Miguel, Coelho, Gian Fabra
Acordei com o seu gosto
E a lembrança do seu rosto
Porque você se fez tão linda?
E a lembrança do seu rosto
Porque você se fez tão linda?
Mas agora você vai embora
Quanto tempo será que demora
Um mês pra passar?
Quanto tempo será que demora
Um mês pra passar?
A vida inteira de um inseto
Um embrião pra virar feto
A folha do calendário
O trabalho pra ganhar o salário.
Um embrião pra virar feto
A folha do calendário
O trabalho pra ganhar o salário.
Mas daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...
Se eu pudesse escolher
Outra forma de ser
Eu seria você.
Outra forma de ser
Eu seria você.
E a saudade em mim agora
Quanto tempo será que demora
Um mês pra passar?
Quanto tempo será que demora
Um mês pra passar?
Ser campeão da copa do mundo
Um dia em Saturno
Pra criança que não sabe contar vai levar um tempão.
Um dia em Saturno
Pra criança que não sabe contar vai levar um tempão.
Daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar.
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar.
Mas daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...
Quando você voltar
Daqui a um mês
Mas daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...
Daqui a um mês
Mas daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...
2 comentários:
Primo,muito lindoooooo......vc é fantástico.que Deus abençoe esses pensamentos lindossss
Obrigado prima, querida!
Você que é ótima!!
amém, amém!
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